Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

sexta-feira, 27 de junho de 2014

999 - Encantos do meu quintal

Não importam o tamanho, a diversidade, a beleza, a localização e a estrutura. Essencial é que lá exista vida e que lhe dê aquela sensação gostosa de prazer e aconchego cada vez que você vislumbra a beleza do seu interior. Este é o valor maior de um quintal. Mesmo para quem mora em apartamento, não custa arrumar um cantinho para instalar pelo menos um arremedo de um quintal, uma plantinha que seja.
Um quintal é um local propício à paz, ao encontro, à introspecção, à meditação, à contemplação, à leitura, à descoberta do mundo mágico dissimulado à nossa volta, à festa, à confraternização, ao cuidado com a vida, quem sabe da conexão com Deus. Não podem faltar plantas, flores, o verde da Natureza, o calor do sol, a dádiva da chuva, o soprar do vento e o canto dos pássaros.    
Falando sobre quintal, lembrei-me de uma historinha sobre humildade e que fala um pouco do quintal de cada um, em uma mensagem muito bonita que talvez vocês até já conheçam. É bem assim:

Um dia um pai de família rica levou seu filho em uma viagem pelo interior do país com a finalidade de mostrar ao seu filho como as pessoas pobres viviam, para que ele pudesse ser grato por sua riqueza. Então, passaram alguns dias e noites em um sítio de uma família muito pobre. 
Em seu retorno da viagem, o pai perguntou ao filho: "Como foi a viagem?"
"Foi ótima, papai."
"Você viu como as pessoas pobres podem ser?" Perguntou o pai.
"Oh sim", disse o filho.
"Então o que você aprendeu com a viagem?", perguntou o pai.
O filho respondeu: "Eu vi que nós temos um cachorro e eles têm quatro."
"Nós temos uma piscina que alcança o meio do nosso jardim e eles têm um riacho que não tem fim."
"Nós temos luminárias importadas em nosso jardim e eles têm as estrelas à noite."
"Nosso quintal vai até o jardim da frente e eles têm todo o horizonte."
"Nós temos um pequeno pedaço de terra para viver e eles têm campos que vão além das nossas vistas."
"Temos funcionários que nos servem, mas eles servem os outros."
"Nós compramos a nossa comida, mas eles cultivam a deles."
"Nós temos muros ao redor de nossa propriedade para nos proteger, eles têm amigos para protegê-los."
Como o pai do menino ficara mudo, ouvindo aquilo tudo, seu filho acrescentou: "Pai, obrigado por me mostrar o quanto nós somos pobres."

Serve como aprendizado para a vida, na adoção de uma relação de humildade para com os nossos irmãos. Que saibamos conviver em paz, respeito e harmonia com todos ao nosso redor.
Um grande abraço espinosense.















































quinta-feira, 26 de junho de 2014

998 - Agora é "ganhar ou voltar pra casa" na melhor Copa da história

Ao contrário das previsões catastróficas de grande parte da nossa vergonhosa mídia, que anunciava um desastre completo e irreversível, a Copa do Mundo do Brasil termina a fase de grupos com um saldo extremamente positivo. Boa organização, segurança plena, acesso facilitado aos estádios, bom funcionamento dos aeroportos, recepção calorosa aos turistas, alegria desmedida, confraternização entre as torcidas, estádios lotados, partidas excelentes, resultados surpreendentes, viradas de placar sensacionais, grandes destaques individuais, eliminações inesperadas de favoritos, muitos e belos gols, alguns gols contra, erros de arbitragem, polêmicas, enfim, todos os ingredientes que fazem da Copa do Mundo de Futebol a maior e mais importante festa esportiva do planeta.
Terminada a primeira fase, o que se percebe é que jamais houve uma fase preliminar tão recheada de jogos emocionantes e decisivos como esta. Normalmente jogos com tamanha emoção acontecem nas fases eliminatórias do torneio de seleções mundiais. Partidas memoráveis foram disputadas, como por exemplo a incrível goleada de 5 x 1 da Holanda de Arjen Robben sobre a Espanha de Andres Iniesta. Ou a expressiva vitória da Alemanha de Thomas Müller sobre Portugal de Cristiano Ronaldo por inesperado placar de 4 x 0. Ou jogos emocionantes como o empate entre Alemanha e Gana por 2 x 2 e a vitória da Argentina sobre a Nigéria por 3 x 2. Merecem destaque as classificações surpreendentes das seleções da Costa Rica e da Argélia, as famosas zebras.
As fases seguintes prometem trazer ainda mais adrenalina aos aficionados pelo futebol. Pelo que mostraram até o momento, Brasil, Alemanha e Holanda são as equipes mais cotadas para erguer a taça de Campeão do Mundo. A Argentina e a França correm por fora. Não acredito que nenhuma outra seleção possa surpreender, mas em futebol nunca se sabe. 


Assim ficaram os confrontos das oitavas de finais, em que quem sair perdedor pega o avião de volta para casa. Faltam apenas 16 jogos.
Brasil  x  Chile - Sábado - 28/06/2014 - 13h00 - Mineirão 
Colômbia  x  Uruguai - Sábado - 28/06/2014 - 17h00 - Maracanã
Holanda  x  México - Domingo - 29/06/2014 - 13h00 - Castelão 
Costa Rica  x  Grécia - Domingo - 29/06/2014 - 17h00 - Arena Pernambuco 
França  x  Nigéria - Segunda-feira - 30/06/2014 - 13h00 - Mané Garrincha
Alemanha  x  Argélia - Segunda-feira - 30/06/2014 - 17h00 - Beira-Rio 
Argentina  x  Suíça - Terça-feira - 01/07/2014 - 13h00 - Arena Corinthians
Bélgica  x  Estados Unidos - Terça-feira - 01/07/2014 - 17h00 - Fonte Nova

Quem mais marcou gols na primeira fase:
4 gols - Thomas Müller (ALE), Lionel Messi (ARG) e Neymar (BRA)
3 gols - Arjen Robben (HOL) Enner Valencia (EQU), James Rodríguez (COL), Karim Benzema (FRA), Robin Van Persie (HOL) e Xherdan Shaqiri (SUI)

Melhor ataque:
10 gols - Holanda
9 gols - Colômbia
7 gols - Brasil
7 gols - França
7 gols - Suíça
7 gols - Alemanha

Maior número de cartões:
Uruguai - 6 amarelos e 1 vermelho
Honduras - 6 amarelos e 1 vermelho (2º amarelo)
Equador - 5 amarelos e 1 vermelho
Grécia - 5 amarelos e 1 vermelho (2º amarelo)
Croácia - 4 amarelos e 1 vermelho
Camarões - 4 amarelos e 1 vermelho

Menor número de cartões:
Alemanha - 1 amarelo
Argentina - 1 amarelo
Suíça - 1 amarelo

Confira os premiados na história das Copas:

Luva de Ouro Adidas: Melhor Goleiro
2010: Iker Casillas (ESP)
2006: Gianluigi Buffon (ITA) *
2002: Oliver Kahn (ALE) *
1998: Fabien Barthez (FRA) *
1994: Michel Preudhomme (BEL) *
* Prêmio Yashin
Bola de Ouro: Melhor Jogador
2010: Diego Forlán (URU)
2006: Zinedine Zidane (FRA)
2002: Oliver Kahn (ALE)
1998: Ronaldo (BRA)
1994: Romário (BRA)
1990: Salvatore Schillaci (ITA)
1986: Diego Maradona (ARG)
1982: Paolo Rossi (ITA)

Chuteira de Ouro: Artilheiro
2010: Thomas Müller (ALE) - 5 gols
2006: Miroslav Klose (ALE) - 5 gols
2002: Ronaldo (BRA) - 8 gols
1998: Davor Suker (CRO) - 6 gols
1994: Hristo Stoichkov (BUL) e Oleg Salenko (RUS) - 6 gols
1990: Salvatore Schillachi (ITA) - 6 gols
1986: Gary Lineker (ING) - 6 gols
1982: Paolo Rossi (ITA) - 6 gols
1978: Mario Kempes (ARG) - 6 gols
1974: Gregorz Lato (POL) - 7 gols
1970: Gerd Müller (ALE) - 10 gols
1966: Eusebio (POR) - 9 gols
1962: Florian Albert (HUN), Valentin Ivanov (URSS), Drazen Jerkovic (IUG), Leonel Sanchez (CHI), Vavá (BRA) e Garrincha (BRA) - 4 gols
1958: Just Fontaine (FRA) - 13 gols
1954: Sandor Kocsis (HUN) - 11 gols
1950: Ademir (BRA) - 9 gols
1938: Leônidas (BRA) - 8 gols
1934: Oldrich Nejedly (TCH), Edmund Conen (ALE), Angelo Schiavio (ITA) - 4 gols
1930: Guillermo Stabile (ARG) - 8 gols

Jovem Jogador Hyundai:
2010: Thomas Müller (ALE)
2006: Lukas Podolski (ALE)
2002: Landon Donovan (USA)
1998: Michael Owen (ING)
1994: Marc Overmars (HOL)
1990: Robert Prosinecki (IUG)
1986: Enzo Scifo (BEL)
1982: Manuel Amoros (FRA)
1978: Antonio Cabrini (ITA)
1974: Wladyslaw Zmuda (POL)
1970: Teofilo Cubillas (PER)
1966: Franz Beckenbauer (ALE)
1962: Florian Albert (HUN)
1958: Pelé (BRA)
Times com mais jogadores atuando na Copa do Mundo do Brasil 2014:
Bayern de Munique (Alemanha) - 14 jogadores
Manchester United (Inglaterra) - 14 jogadores
Barcelona (Espanha) - 13 jogadores
Chelsea (Inglaterra) - 12 jogadores
Juventus (Itália) - 12 jogadores
Real Madrid (Espanha) - 12 jogadores
Napoli (Itália) - 12 jogadores
Liverpool (Inglaterra) - 10 jogadores
Manchester City (Inglaterra) - 10 jogadores
Paris Saint Germain (França) - 10 jogadores
Arsenal (Inglaterra) - 10 jogadores

quarta-feira, 25 de junho de 2014

997 - Morre Canechane, ex-baterista d´Os Cardeais

A gente não quer noticiar essas coisas tão tristes, mas não há como lutar contra o ciclo normal da vida. Conforme informações recebidas pelo Facebook, mais um ente querido nos deixa: Canechane, eterno baterista d´Os Cardeais.
Apesar de não ter sido amigo próximo meu, sempre fui muito bem tratado por ele. Eu o tinha como ídolo da música, o cara das baquetas que por muito tempo, ao lado dos seus companheiros, embalou os meus sonhos na juventude, através da música maravilhosa com que nos presenteava Os Cardeais nas festas e nos carnavais inesquecíveis de Espinosa. 
Até hoje não sei bem como se escreve o seu nome. Se Canechane, ou Canixani, ou Kanichane, ou Kanexane. Nem mesmo sei da história de como surgiu o apelido tão interessante. Não importa. Importa saber que ele deixou a sua marca neste mundo, ao lado da família, e estará sempre na memória de todos os que foram tocados por sua obra musical e pela sua passagem marcante por este nosso temporário mundo.
À esposa Fatinha, aos filhos Ticiane e Eustáquio, a todos os familiares e amigos, o nosso profundo pesar e o desejo de que Deus lhes conceda muita força, paz e resignação para superar este momento de tamanha tristeza e dor.
Um grande abraço espinosense. 

Canechane, Osmar, Nélson Gonçalves, Niltinho, Joãozinho e Pote

Eternos Os Cardeais: Devá, Lourinho, Niltinho, Canechane, Joãozinho, Osmar e Galdino

996 - Essas extravagantes figuras da Copa do Mundo

São 12 cidades-sedes, 12 estádios espetaculares, 32 seleções nacionais, 64 jogos e 736 jogadores. São 96 goleiros, 230 defensores, 250 meio-campistas e 160 atacantes. Alguns jovens, outros já veteranos. Alguns já considerados os melhores do mundo, outros ainda à procura do estrelato. Muitos com um visual bastante interessante. Os penteados são os mais diferentes possíveis. Em alguns, eles nem existem, substituídos pela careca brilhante. Outros são bem extravagantes, com cabeleiras enormes ou apenas um corte moicano. Interessante notar que muitos jogadores cultivam uma bela barba, mas o uso isolado do bigode definitivamente não está na moda entre eles. Vamos então dar uma olhada nessas extravagantes figurinhas desta Copa.
Um grande abraço espinosense.

Benoit Assou Ekotto (Camarões - Defensor)

David Luiz (Brasil - Defensor)
Juan Paredes (Equador - Defensor)

Bacary Sagna (França - Defensor)

Charles Itandje (Camarões - Goleiro)

Danijel Pranjic (Croácia - Defensor)

Dante (Brasil - Defensor)

Die Serey (Costa do Marfim - Meio-campista)

Eder (Portugal - Atacante)

Ermin Bicakcic (Bósnia e Herzegovina - Defensor)

Felipe Caicedo (Equador - Atacante)

Gervinho (Costa do Marfim - Atacante)

Jermaine Jones (Estados Unidos - Meio-campista)

John Boye (Gana - Defensor)

Kyle Beckerman (Estados Unidos - Meio-campista)

Marcelo (Brasil - Defensor)

Mario Balotelli (Itália - Atacante)

Marouane Fellaini (Bélgica - Meio-campista)

Michael Lang (Suíça - Defensor) 

Ukechukwo Uchebo (Nigéria - Atacante)

Raul Meireles (Portugal - Meio-campista)

Roger Espinoza (Honduras - Meio-campista)

Son Heungmin (Coreia do Sul - Meio-campista)

Tim Howard (Estados Unidos - Goleiro)

Wilfried Bony (Costa do Marfim - Atacante)

William (Brasil - Meio-campista)

Rais Mbolhi (Argélia - Goleiro)

Anthony Vanden Borre (Bélgica - Defensor)

Kevin Prince Boateng (Gana - Atacante)

domingo, 22 de junho de 2014

995 - Na Estrada para as Terras do Coração, por Luc Antunes

O mundo, este nosso tão misterioso mundo, é constituído das mais variadas matérias, de pessoas e animais, de água e terra, de sentimentos e agruras, de sons e imagens. Viajar pelas suas entranhas maravilhosas e desconhecidas, não só na paisagem visível, mas também pelos caminhos quase imperceptíveis da mente, é uma overdose de emoções às vezes pacificadoras e extasiantes.
Quando em conjunto, a música, as imagens e os sentimentos nos levam a uma sensação de paz e harmonia em que parece estarmos mais perto de Deus.
Com a sua mente deveras privilegiada, é isso que eu acho que nosso conterrâneo Luc Antunes quer nos passar através deste vídeo. Confiram, deleitem-se com essas maravilhas do nosso mundo e tirem as suas próprias conclusões.
Um grande abraço espinosense.

Suas palavras, na íntegra:

Aconteceu algumas vezes comigo. É difícil de escrever sobre isso, mas descreveria assim: esses momentos epifânios quando os átomos, as moléculas, as células em mim, em perfeita união e sintonia, me fizeram sentir como um poderosa máquina sensual e sensorial, transformando momentos aparentemente corriqueiros em experiências transcendentais, se é que podem ser nomeadas. É como se a Divindade Cósmica, incapaz de saborear sua própria existência, acabasse nos criando, seres vivos, na esperança de, em um desses momentos raros, poder senti-la indiretamente ou empaticamente, através de nós, de nossos corpos, de nossos sentidos. Nessas ocasiões, uma poderosa conexão entre criador e criatura, de milagrosa unidade, de existência e consciência, é realizada e revelada. Tornamo-nos um canal para Deus reconhecer a si próprio enquanto nós mesmos também reconhecemos a beleza e a força pulsante da criação. Deus e Nós -- a Criação e Nós -- abraçados, olhando nos olhos um do outro, respirando a respiração um do outro, a alma, plenamente conscientes, um. 
O que é necessário para isso? Nenhum delírio ou droga, com certeza. Esses podem apenas produzir eventos falso porque embora nos ajudem a perder nossas "amarras" também nos fazem perder a consciência. Acho que é necessário amor e paixão pela vida, sensibilidade (que pode ser exercitada e ampliada), empatia, abertura, altruísmo/despojamento e solidão -- nem sempre contudo. Já fui capaz de ter aquela poderosa sensação na companhia de amigos, no meio de uma multidão, ao ver o sorriso
no rosto de alguém ou situação parecida. Mas a solidão é essencial, pois geralmente a sociedade nos distrai com os objetos (de foco e desejo) de ideologias calculistas, coisas bobas e trivialidades. Boa música ajuda também, maravilhosamente. 
Então, é por isso que eu fiz este vídeo. Você pode simplesmente sentir-se tonto ao assisti-lo, mas aconteceu lá naquele momento, enquanto eu estava viajando para o sertão ("terras no coração do Brasil") onde fica minha cidade natal. A viagem de Belo Horizonte, onde moro, até Espinosa leva aproximadamente 12 horas de ônibus. O ônibus sai às 19:30 e na manhã seguinte está cruzando a paisagem do sertão.
Confesso que a música "Set Fire to the Rain" na voz poderosa da cantora Adele, estava tocando nos meus fones de ouvido em constante modo de repetição naquela manhã. (Obrigado, Adele). No entanto, devido à falta de um bom programa editor de vídeos, perdi a oportunidade de montar um vídeo na hora certa. Mas um dia aconteceu de novo: enquanto eu ouvia a música de Florence -- em particular essas duas canções do vídeo -- fui poderosamente arremessado de volta àquele momento no tempo. É incrível que, embora eu não consiga entender parte do significado das letras da Florence, tudo mais, a melodia, sua voz, sua expressão, superam esse bloqueio e falam direto ao meu coração
e à minha alma -- à minha mente divina. Ela canta sobre coisas indescritíveis, palavras que nos faltam ou falham, momentos de introspecção, quietude e abençoada solidão.
Espero que este vídeo não seja bloqueado por causa de direitos autorais e que seja para a esplêndida cantora Florence um gesto de gratidão e admiração pelo seu trabalho divino que me tocou tão profundamente e de forma magnífica.
E, se você tiver vontade de produzir e postar um vídeo com suas próprias viagens em suas próprias estradas do coração com música que o/a ajudou a se emocionar e elevar-se, eu ficaria muito feliz.

Luc Antunes

994 - Inacreditáveis malabarismos da bola!

Não dá para acreditar que é verdade! Parece montagem, ainda mais hoje em dia com todas as possibilidades da tecnologia. Mas, pensando bem, nem importa. Importa perceber a criatividade desse pessoal, tanto dos que participaram do vídeo como protagonistas bem como os seus idealizadores.
Parabéns aos criadores do vídeo pela engenhosidade da ideia. Comercial bom é isso, não só se sobressai pelo alcance publicitário da marca, mas pela qualidade da mensagem.
Um grande abraço espinosense.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

993 - Em tempo de Copa, o craque Chico Buarque de Hollanda chega aos 70 anos

Ele dispensa comentários. Seja empunhando um violão ou uma caneta, a qualidade ímpar está estampada brilhantemente em seus trabalhos. Ele criou clássicos da música brasileira falando de tudo um pouco, ou muito. Lá estão a tão elogiada alma feminina, o suíngue do samba genuinamente brasileiro, o descrever do caminhar do cotidiano, as vicissitudes e os prazeres do amor, assim como as suas inquietações e as contestações políticas. Além disso, as criações de livros, musicais, peças teatrais e filmes. Tudo isso em um caldeirão de palavras certas e harmonias perfeitas. Chico é gênio, da música e da palavra.


É hoje, dia 19 de junho, o seu aniversário de 70 anos. O quarto dos sete filhos do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim, lançou o primeiro disco em 1966 e nele já apareciam duas obras-primas, "Pedro Pedreiro" e "A Banda". Daí em diante, em mais de 40 álbuns lançados, viriam outras maravilhas da canção brasileira: "Construção", "Samba de Orly", "Cotidiano", "O Que Será", "Olhos nos Olhos", "Meu Caro Amigo", "Apesar de Você", "Cálice", "Gente Humilde", "Atrás da Porta" etc etc etc. Paro por aqui, pois se for enumerar todas as suas grandes canções vai faltar espaço.
Francisco Buarque de Hollanda, ou simplesmente Chico, como é carinhosamente conhecido, desde os 9 anos já iniciava a sua trajetória de criação musical, com algumas marchinhas de carnaval. Aos 12, criava operetas que eram cantadas pelas suas irmãs. Aos 13 anos, apaixona-se pelo futebol. Aos 14 anos, desperta o amor pela literatura. Aos 15, é encantado pelo som de João Gilberto, no disco "Chega de Saudade", que mudou radicamente a sua relação com a música. Seu sonho, a partir dali, seria "cantar como João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e letra como Vinícius de Moraes". 
Chico Buarque destaca-se em tudo o que faz, até no futebol. Criou um time para si, o "Politheama", onde bate uma peladinha com os amigos. Dizem que joga direitinho. 
Na literatura, uma de suas paixões, escreveu vários livros:  "Fazenda Modelo" (1974), "Chapeuzinho Amarelo" (1979), "A Bordo do Rui Barbosa" (1981), "Estorvo" (1991), "Benjamim" (1995), "Budapeste" (2003) e "Leite Derramado" (2009). Destes,  Estorvo, Benjamim e Budapeste viraram filmes.
Criou ainda cinco peças de teatro, todas com inegável sucesso: "Roda Viva" (1967), "Calabar" (1973), "Gota D’Água" (1975), "Ópera do Malandro" (1978) e "O Grande Circo Místico" (1983).
Na televisão, apresentou o programa "Chico e Caetano", com Caetano Veloso, na TV Globo, durante sete meses.


Suas canções estão imortalizadas nas mais diversas vozes da música brasileira, desde Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina até Pena Branca e Xavantinho, Rolandro Boldrim e Engenheiros do Hawaii.
Chico é um incansável criador, hoje um pouco mais afastado da música e mais próximo da literatura. Atualmente está trabalhando na finalização do seu mais novo livro, ainda sem data para lançamento.
Não é preciso falar muita coisa de Chico Buarque. As suas obras falam por si. É só conferir:
  • Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia, você vai ter que ver, a manhã renascer, e esbanjar poesia, como vai se explicar, vendo o céu clarear, de repente, impunemente, como vai abafar, nosso coro a cantar, na sua frente ("Apesar de Você");
  • Sentou pra descansar como se fosse sábado, comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe, bebeu e soluçou como se fosse um náufrago, dançou e gargalhou como se ouvisse música, e tropeçou no céu como se fosse um bêbado, e flutuou no ar como se fosse um pássaro, e se acabou no chão feito um pacote flácido, agonizou no meio do passeio público, morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego ("Construção");
  • O meu amor, tem um jeito manso que é só seu, de me fazer rodeios, de me beijar os seios, me beijar o ventre, e me deixar em brasa, desfruta do meu corpo, como se o meu corpo fosse a sua casa, ai ("O Meu Amor");
  • Se nós, nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir, se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu, como, se na desordem do armário embutido, meu paletó enlaça o teu vestido, e o meu sapato inda pisa no teu ("Eu te Amo");
  • Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar, com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar, depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar, e cheios de ternura e graça foram para a praça, e começaram a se abraçar, e ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou, e foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou, e foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais, que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz ("Valsinha");
  • Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações, seus filhos erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais, e um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chamava carnaval, o carnaval, o carnaval ("Vai Passar").
Um grande abraço espinosense. E viva Chico Buarque de Hollanda!

Já que estamos em época de Copa do Mundo, lá vai uma bela canção do Chico sobre o nosso mais amado esporte.

O Futebol

Para estufar esse filó, como eu sonhei
Só se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual ao jogador
Qual compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol, com precisão
De flecha e folha seca

Parafusar algum joão, na lateral
Não, quando é fatal
Para avisar a finta enfim
Quando não é sim
No contrapé
Para avançar na vaga geometria
O corredor
Na paralela do impossível, minha nega
No sentimento diagonal do homem-gol
Rasgando o chão e costurando a linha

Parábola do homem comum
Roçando o céu, um senhor chapéu
Para delírio das gerais
No coliseu
Mas que rei sou eu
Para anular a natural catimba
Do cantor
Paralisando esta canção capenga, nega
Para captar o visual
De um chute a gol
E a emoção da idéia quando ginga

(Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro)







992 - A Copa do Mundo na Vila do Guiné, na Chapada Diamantina

Mucugê é uma cidade baiana com pouco mais de 18 mil habitantes, localizada na Chapada Diamantina, colonizada pelos indígenas e com característicos casarões coloniais de estilo português na paisagem. No século XIX, ápice do seu poderio econômico, a cidade era importante centro de mineração de ouro e diamantes. Atualmente, Mucugê tem a sua economia baseada no agronegócio e no turismo, em virtude das suas belezas naturais, graças às suas montanhas, cânions e cachoeiras.
A 42 km da cidade de Mucugê está a Vila do Guiné, uma pequena vila em meio à Chapada Diamantina. Foi lá (e em outros 700 lugares do país) que a Brahma fez um evento que merece aplausos: levar as imagens da Copa do Mundo aos habitantes do lugar. O registro do evento é de emocionar e a empresa está de parabéns pela iniciativa. 
Dê só uma olhada e veja como são lindos este nosso imenso país e sua gente. E a versão da música da Legião Urbana, "Por Enquanto", ficou de arrepiar. Viva a Copa e o povo brasileiro!
Um grande abraço espinosense.