Hoje é Sexta-Feira da Paixão. Infelizmente não é dia de comemorar dizendo alegremente que "sextou". Hoje não é dia de ouvir música no talo ou encher a cara de cerveja ou pinga xingando a quem odeia de cachaceiro. Não, hoje é dia de jejum, abstinência, recolhimento e silêncio. E mais importante, dia de reflexão profunda.
Jesus Cristo foi torturado barbaramente e assassinado de forma brutal. E qual foi o crime que Ele cometeu? Amar! Amar a Deus e ao próximo. E Ele nos ensinou bem claramente isto, de forma bem didática, mas passam os anos e muita gente continua sem compreender ou querer captar sua mensagem de paz e amor para com todos. Há um exército de fanáticos ignorantes pouco afeitos à compreensão das coisas sérias por aí, com seus crucifixos pendurados no pescoço, com suas Bíblias debaixo dos braços, com seus brados de serem cristãos e falando de Deus em tempo integral. Quanta hipocrisia, meu Senhor! As palavras são bonitas, teatrais, emocionadas, mas as atitudes seguem quase sempre em direção diametralmente opostas. Na sabedoria popular: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Essa aberração de tanta gente se proclamar cristã, e geralmente de forma veemente e barulhenta, não condiz com as ações simples do cotidiano. E, lamentavelmente, alguns dos mais vergonhosos atos vêm de quem deveria ser exemplo de dedicação no cumprimento dos mandamentos de Deus, ou seja os padres, pastores, líderes religiosos e senhores circunspectos sempre presentes nas igrejas. Esses falsos cristãos são flagrados nas mais podres situações, assassinando pessoas (até esposas), abusando sexualmente de crianças e adolescentes, praticando golpes, roubando valores alheios e criando e espalhando fake News com a intenção de ganhos econômicos e políticos. E ainda concordam, apoiam, idolatram e aplaudem poderosos senhores da guerra que matam crianças inocentes, torturam pessoas, fazem negócios escusos, faturam fortunas e prejudicam milhões de seres menos favorecidos pelo destino. Essa gente escrota não captou a mensagem de Jesus Cristo! Até leu, talvez, mas não compreendeu o que está escrito.
E qual a dificuldade de se compreender tão singelo ensinamento? "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo". Não, não, não, o próximo não é só quem está do seu lado, vivendo em sua família, como seu pai, sua mãe, seu irmão, sua esposa, sua filha, seu neto, sua bisneta, seu cachorro e seu papagaio. O próximo pode não estar próximo. Pode ser alguém ali no bairro distante que habita uma "casa" de papelão e pedaço de pau. Pode ser alguém ali caído no chão da praça, embriagado no seu vício no alcoolismo. Pode ser alguém ali deitado sobre um papelão numa noite fria de junho, em uma condição de moradora de rua por ter sido expulsa de casa pelo pai conservador e extremista. Pode ser alguém que possui dificuldade psicológica para se adaptar a um mundo louco centrado no trabalho e no dinheiro. Pode ser alguém que nasceu com a cabeça voltada para a criação de arte, não se encaixando em nenhum ambiente de labor físico. Pode ser alguém que se descobriu sentindo atração e amor por gente do mesmo sexo. Deus nos criou em gigantesca quantidade nos mais diversos lugares para que todos sejamos felizes e aceitos e respeitados como somos integralmente. E Ele, através de Cristo, quando disse a frase de amarmos ao próximo, não colocou exceções. Pelo menos na Bíblia aqui de casa! Se Ele nos pediu para amarmos a todos, por que amarmos só os que achamos interessante, propício e vantajoso?
Que saibamos refletir, entender e, de forma generosa, amar realmente a todos ao nosso redor. Senão não terá valido nada o martírio e o sofrimento deste Homem que veio ao mundo para nos salvar e indicar o caminho que dará no seu Reino de Paz e Amor! Que os pobres coitados que ainda não assimilaram os ensinamentos de Jesus Cristo consigam o quanto antes encontrar a luz para se redimirem antes que aconteça o Juízo Final, que pode não estar muito longe.
Um grande abraço espinosense.
Um grande abraço espinosense.