Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

2786 - Viva o nosso centenário escritor Daniel Antunes Júnior!

Chegar aos 100 anos de existência é para poucos privilegiados pelo destino. Alcançar tal marca com saúde e com uma lucidez impecável é ainda mais surpreendente e admirável. Assim é que o nosso digníssimo conterrâneo Daniel Antunes Júnior completou, no último dia 17 de setembro, os seus 100 anos de vida e literatura, espalhando, aos ventos dos quatro cantos do Sertão incessantemente castigado pela seca, os seus contos e textos que relembram e eternizam a nossa preciosa história espinosense. 
O bancário aposentado, administrador, fazendeiro e homem das letras estreou na labuta de escritor com o livro "Lençóis do Rio Verde - Crônica do Meu Sertão", lançado pela Editora Comunicação em 1976. "Coração de Prata - Contos Correntes", lançado em 2008 pela Editora Santa Clara, é o seu segundo livro. "Celebrando a Vida – Poemas Outonais e Contos" foi lançado em 2015. Em 2017 lançou "A Colonização Brasileira e o Livro do Tombo da Casa do Conde da Ponte", patrocinado pelo BDMG. Seu Daniel realizou os estudos primários no Grupo Escolar Comendador Viana, em Espinosa, e cursou os estudos secundários no Ginásio Afonso Celso e no Colégio Anchieta, ambos em Belo Horizonte. Trabalhou no Banco de Minas Gerais nas agências de Montes Claros, Ponte Nova, Uberlândia e Belo Horizonte, inicialmente como escriturário e, posteriormente, como contador, gerente e diretor da Carteira de Crédito Imobiliário. Foi ainda, na mesma instituição, Superintendente de Aplicações. Fundou e administrou a Mutual (Associação de Poupança e Empréstimo) e a BMG Crédito Imobiliário. Administrou a Construtora Predial e chefiou o Departamento de Operações Especiais das Empresas BMG. Hoje curte a merecida aposentadoria depois da missão cumprida.
Apaixonado pelas palavras e pelas gerações familiares passadas, o escritor vem colecionando dados sobre os ancestrais das famílias Antunes e Tolentino que deixaram a Europa em tempos conturbados para se espalhar pelos rincões do nosso imenso, lindo e amado Brasil. Os Antunes, com a vinda do rabi Heitor Antunes; os Tolentinos, com a chegada do Alferes José Nicolau Tolentino. Essa sua curiosidade pelo conjunto dos conhecimentos o levou a se tornar historiador efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e a ser, indubitavelmente, o nosso maior escritor e conhecedor profundo da já extensa história da antiga Lençóis do Rio Verde, hoje Espinosa. 
Muito da sua produção literária é dedicada à esposa e musa Conceição, sua fiel e inseparável companheira que lhe proporcionou a dádiva de ser pai de especiais cinco filhos: Dante, Silvana, Daniel, Sergio e Sandra Maria.




Temos que nos orgulhar e muito o que comemorar com o centenário de tão nobre conterrâneo. Seu Daniel é figura serena, inteligente, culta, de memória prodigiosa e evolução apreciada, com toda razão, pela nossa calorosa comunidade espinosense. Que sua trajetória terrena continue abençoada pelo Criador, com bastante saúde, lucidez, paz e alegria no coração, mantendo-o sempre otimista, bem informado e produtivo.
Como ele mesmo afirmou certa vez: "Gosto de tomar banho, de ver as estrelas, dos perfumes discretos, das flores, das frutas, da chuva, da música, das mulheres, dos cães, da amizade e da sinceridade, da cor verde, das minhas coisas, sem ser demasiadamente apegado a elas. Enfim, gosto da vida e, quando partir desta para outra, sentirei saudade dela. Creio que este mundo é o melhor de todos os que conheço...", Então vamos aplaudi-lo e abraçá-lo (mesmo que virtualmente), desejando toda a felicidade deste melhor mundo que conhecemos, e agradecê-lo por tudo que sempre fez pela nossa terrinha amada.
Vida longa ao Senhor Daniel! E viva sua exitosa existência! Parabéns pelos 100 anos de vida e prosa! 
Um grande abraço espinosense.


Para homenagear o nosso celebrado escritor, a conterrânea também poeta e de escrita fácil Greyce Tatiane Gonçalves Lopes, escreveu o seguinte poema:

"O Centenário do Poeta"
(ao Sr. Daniel Antunes Jr.)

Uma vida a relembrar fatos
Repletos de grandes louvores
De um povo com suas glórias
De lençóis com suas dores!

Garimpeiro de tudo que foi esquecido 
A eternizar grandes e belas histórias 
Dos Antunes, Salviola e Tolentino, tudo que estaria embalde perdido
Sem as suas pitorescas memórias

Mente privilegiada onde medra
Por Espinosa um amor profundo 
Orgulho da nossa querida terra
Nosso cronista e poeta que ganhou o Mundo!

Com as dádivas de uma vida prazerosa
O poeta completa, com lucidez, um centenário
Acompanhando as mudanças vertiginosas
De todo o nosso contemporâneo cenário 

Salve o nosso bardo!!

Autora: Greyce Tatiane Gonçalves Lopes

2785 - O sempre aguçado Caetano alfineta os "Anjos Tronchos"

Não há como escapar das consequências das transformadoras e bombásticas invenções humanas, criações que catapultam indivíduos para a riqueza, a fama e a desconexão do mundo real, não sem antes provocar mudanças irreversíveis nas vidas dos tripulantes da nave mãe Terra, azul, esférica, estupenda e estupidamente destruída pela ganância e insensibilidade humana. O mesmo avião inventado para diminuir distâncias, levando pessoas e cargas em tempo recorde a qualquer ponto do planeta, levou as malditas bombas que foram despejadas sem o menor sentimento de culpa sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A mesma imprensa inventada para facilitar a propagação da verdade dos fatos, não raro é utilizada com a mais inescrupulosa das intenções para criar e manter privilégios e ludibriar os mais suscetíveis, infelizmente os menos favorecidos. Agora, a mesma tecnologia produzida por seres de mente brilhante para disseminar conhecimento, conectar pessoas e facilitar a vida humana, torna-se um antro podre de propagação de mentiras, fake News e ódio dos descerebrados haters. 
As descobertas humanas, por si sós, são espetaculares, metamorfoseadoras e especialmente benéficas para a Humanidade. Entretanto, o uso desvirtuado dessas notáveis descobertas causa estragos desastrosos nas vidas das pessoas. Diante dessa incômoda verdade, com sua mente sempre brilhante e irrequieta, o poeta, cantor, compositor e pensador Caetano Veloso coloca mais uma vez o dedo na ferida na sua mais recente canção "Anjos Tronchos", disponibilizada nesta mesma tecnologia que, ao mesmo tempo em que proporciona a irradiação de amor, ética, harmonia e paz, incendeia o mundo com as malditas fake News, as putrefatas mentiras e os estúpidos ataques raivosos nas redes sociais.
A música é uma das peças integrantes do próximo álbum do artista baiano que deverá ser lançado até o final deste ano pela gravadora Sony Music. O disco se chamará "Meu Coco" e já foi gravado neste primeiro semestre de 2021. É o primeiro disco de músicas inéditas desde "Abraçaço", do ano de 2012, lançado há nove anos.
Infelizmente a tecnologia possibilitou a todos nós a descoberta desoladora e trágica dos sentimentos mais desprezíveis em uma enorme parcela da população que julgávamos civilizada, íntegra, confiável, sensata e sábia. De acordo com o mestre Caetano, os "anjos tronchos" possibilitaram o surgimento de "palhaços líderes macabros" e de insensatos coléricos que podem matar com "post vil" e ameaçar a paz e a Democracia no mundo. Um descobrimento por deveras desconfortante, doloroso e triste. 
Um grande abraço espinosense. 

"Anjos Tronchos"
(Caetano Veloso)

"Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Desses que vivem no escuro em plena luz
Disseram: vai ser virtuoso no vício
Das telas dos azuis mais do que azuis
Agora a minha história é um denso algoritmo
Que vende venda a vendedores reais
Neurônios meus ganharam novo outro ritmo
E mais e mais e mais e mais e mais

Primavera Árabe – e logo o horror
Querer que o mundo acabe-se: sombras do amor
Palhaços líderes brotaram macabros
No império e nos seus vastos quintais
Ao que reveem impérios já milenares
Munidos de controles totais

Anjos já mi ou bi ou trilionários
Comandam só seus mi, bi, trilhões
E nós, quando não somos otários
Ouvimos Schönberg, Webern, Cage, canções

Ah, morena bela
Estás aqui
Sem pele, tela a tela
Estamos aí

Um post vil poderá matar
Que é que pode ser salvação?
Que nuvem, se nem espaço há?
Nem tempo, nem sim nem não. Sim: nem não

Mas há poemas como jamais
Ou como algum poeta sonhou
Nos tempos em que havia tempos atrás
E eu vou, por que não? Eu vou, por que não? Eu vou

Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Tocaram fundo o minimíssimo grão
E enquanto nós nos perguntamos do início
Miss Eilish faz tudo do quarto com o irmão".