Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

3078 - Adeus e obrigado, Dona Hebe de Bonafini!

Não queiram sentir a pungente dor da perda de um filho. Muito menos de sofrer eternamente o desaparecimento de um ente querido, ainda mais quando a perda é fruto de uma ditadura violenta, covarde e sangrenta como a que se abateu sobre a Argentina entre os anos de 1976 a 1983. E foram muitos esses cidadãos desaparecidos na nossa irmã nação sul-americana, cerca de 30 mil, destroçando a vida de milhares de famílias, mães, especialmente. E algumas dessas mães desesperadas com o sumiço dos seus filhos que resolveram encarar o medo e protestar contra o regime ditatorial que assassinava e fazia desaparecer os adversários políticos. Assim, em 30 de abril de 1977, 14 corajosas e decididas mulheres se reuniram na principal praça do centro da cidade de Buenos Aires, a Praça de Maio, para exigir explicações e buscar notícias sobre seus filhos desaparecidos, iniciando assim uma incansável luta pela vida, liberdade, justiça, Democracia e direitos humanos. Com o tempo, outras mães e familiares de desaparecidos se juntaram a elas nesta luta diária que já completou 45 anos.



Uma dessas incríveis e incansáveis guerreiras da paz, a presidente da associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, faleceu neste domingo, 20 de novembro, em Buenos Aires, aos 93 anos. Mãe de dois filhos desaparecidos na ditadura militar que se intitulava "Processo de Reorganização Nacional", Dona Hebe tornou-se uma figura exponencial na luta contra a repressão da ditadura. Perdeu seu filho mais velho, Jorge Omar, sequestrado em 08 de fevereiro de 1977, em La Plata, seu outro filho Raúl Alfredo, desaparecido em 06 de dezembro de 1977, em Berazategui, e ainda a sua nora María Elena Bugnone Cepeda, esposa de Jorge, desaparecida em 25 de maio de 1978. 



Que finalmente Dona Hebe, uma mulher firme, forte, corajosa, valente, destemida e amorosa, possa enfim reencontrar seus filhos e nora em um plano superior, condição que lhe foi negada aqui na vida terrena pelos covardes e canalhas ditadores argentinos. Que seu lindo exemplo de fé, dedicação e luta permaneça vivo nas mentes e corações das demais Mães da Praça de Maio e em todas as mães do mundo!
Que descanse em paz, Dona Hebe, e muito obrigado pela incansável luta em prol dos direitos humanos e da Democracia!
Um grande abraço espinosense. 



3077 - Basta de racismo!

Imagine que há apenas 134 anos tínhamos no Brasil seres humanos escravizados, comprados e vendidos como uma mercadoria qualquer, tratados como animais selvagens, às vezes espancados amarrados em troncos instalados em praças públicas. Como aceitar insensível, calado e omisso tal situação, sendo humano e cristão?
Essa aberração tão desumana teve fim, mas não completamente, no dia 13 de maio de 1888, quando a Câmara e o Senado do Império do Brasil aprovaram o projeto de lei que extinguiu a escravatura no Brasil: a Lei Áurea da Princesa Isabel de Orleans e Bragança. Importante ressaltar a decisão da então província do Ceará, que aboliu a escravidão bem antes, em 25 de março de 1884, através do seu presidente, Sátiro de Oliveira Dias. Mas esta sábia decisão não foi uma unanimidade, muito pelo contrário. Os poderosos fazendeiros escravistas não aceitavam a perda dos seus escravos, posses que valiam dinheiro. Diziam os seus representantes no parlamento que a abolição mergulharia o país em uma crise econômica, com sérias consequências políticas. E elas vieram um ano e meio depois do fim da escravidão, com fazendeiros e militares descontentes se unindo para decretar o fim do Império e o início da República. Não fosse a inteligente jogada do recém-nomeado ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, que mandou queimar todos os registros contábeis de compra e venda de escravos no Brasil, e os fazendeiros iriam inviabilizar o novo governo com suas exigências de reparação financeira pela perda dos seus escravos.



Neste nosso Brasil, que foi o último país das Américas a abolir a maldita escravidão, o tempo passou, mas ainda percebemos o terrível racismo vivo e forte, triste e macabra realidade visível no nosso cotidiano em que irmãos brasileiros são tratados com indiferença, arrogância e preconceito. 
Em mais um 20 de novembro, data da morte do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, no ano de 1695, mais do que nunca precisamos lutar juntos para modificar a nossa sociedade, ainda presa a retrógradas ideias e comportamentos. Que possamos refletir, derrotar a ignorância e evoluir o quanto antes para extirpar para sempre essa mancha horrível da nossa História. E se ainda há alguém que não entendeu que racismo é crime, melhor se informar. Racismo, NÃO!
Um grande abraço espinosense.





"Luxuosos Transatlânticos"
Nei Lopes e Cláudio Jorge

Em luxuosos transatlânticos
Os negros vinham da África para o Brasil
Gozando de mordomias faraônicas
Chegavam aqui com ar fagueiro e juvenil
E mal desembarcavam lá no porto
Com todo conforto
Em luxuosas senzalas iam se hospedar
Tratados a pão de ló, comendo do bom e do melhor
Levavam a vida a cantar
Lalaiá laia, lalaiá laiá, laia laia laia

Nos campos e nas cidades
Nos tempos que não voltam mais
Reinava a mais perfeita harmonia
Tudo era alegria, amor, carinho e paz
Até que exóticas ideologias fizeram o cativeiro acabar

Mas a índole mansa e pacífica
Dessa gente magnífica fez o negro se recuperar
Hoje no Brasil da liberdade
Onde tudo é igualdade

Sem distinção de raça e nem de cor
O negro agradecido ergue aos céus o seu louvor
Ô ô ô ô! Ai que saudades dos carinhos do feitor
(Obrigado Isabel)"