Espinosa, meu éden

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terça-feira, 19 de julho de 2022

3009 - A apoteótica trajetória do Rei do Rock

Animado, ansioso e curioso, deixei momentaneamente o conforto do lar e fui até o Shopping Ibituruna na noite desta segunda-feira assistir ao novo filme sobre uma das personalidades mais conhecidas e amadas do universo mundial da música, Elvis Aaron Presley. E voltei para casa plenamente satisfeito com o que vi, uma produção extremamente frenética nas imagens e no ritmo, mais parecida com um filme de super-herói, com divisões de imagens na tela e uma movimentação inquieta e agitada das câmeras. 
Mas além do astro Elvis Presley, outro personagem ganhou um espaço extraordinário na obra roteirizada e dirigida por Baz Luhrmann, o controverso empresário holandês Andreas Cornelius van Kuijk, conhecido como "Coronel" Tom Parker. O gestor da carreira do roqueiro o levou ao sucesso e à fortuna a partir de 1955, em uma relação de amor e ódio de mais de 20 anos, porém é acusado de se aproveitar do trabalho do cantor, ficando com a metade dos seus ganhos e de impedi-lo de ampliar ainda mais sua fama, proibindo-o reiteradamente de se apresentar fora dos Estados Unidos, sempre alegando falta de segurança e infraestrutura adequada ao ídolo e aos prováveis preços abusivos de ingressos no exterior. A razão porém era outra, pois o empresário tinha receio de vasculharem seu passado oculto e também pelo fato de ele não possuir cidadania americana, o que poderia ocasionar  a não aceitação do seu retorno ao país pelos órgãos de imigração, mesmo sendo casado com uma americana e tendo servido no Exército. Sem a presença do "Coronel", Elvis se apresentou apenas três vezes fora dos Estados Unidos. Isso se deu no ano de 1957, quando Elvis fez shows em Toronto, Ottawa e Vancouver, no Canadá, quando não havia exigência de passaporte.



Tirando o "Coronel" Tom Parker de lado, o filme mostra um Elvis apegado à mãe e com sonhos de atingir o estrelato e se tornar um ator reconhecido. Depois de se apaixonar e viver um caso de amor eterno com sua esposa Priscilla, o astro passou a se sentir frustrado com os rumos da sua carreira, como a exigência de cantar canções de que não gostava, e se entregou às pílulas que iriam com o tempo arruinar a sua saúde, desencadeando uma dependência química que o levaria à morte precoce aos 42 anos de idade. 
Elvis Presley é um dos mais idolatrados artistas do planeta, sendo o artista solo que mais vendeu discos na história. É também, indiscutivelmente, uma das personalidades de fundamental importância na transformação da forma de se fazer música no mundo. Não à toa o artista talentoso e carismático tornou-se eternizado o "Rei do Rock", com milhões de admiradores por todos os cantos do planeta até os dias atuais, após 45 anos do seu falecimento. Elvis morreu no dia 16 de agosto de 1977, um dia que me lembro bem. Estávamos nós, então adolescentes jogadores do Cruzeirinho, em Belo Horizonte, onde jogamos um amistoso contra os juvenis do Cruzeiro no campo da sede do Barro Preto. Perdemos a partida por 3 x 1. Quem nos levou à esta inesquecível e maravilhosa aventura foi o nosso presidente à época, o saudoso e dedicado desportista Mateus Salviola Antunes, que foi homenageado com seu nome dado ao ginásio de esportes da cidade de Espinosa, com todo merecimento. 



O filme "Elvis" tem como intérprete do protagonista o jovem ator Austin Butler, com o veterano Tom Hanks no papel de Tom Parker, ambos com atuações elogiáveis. Outros nomes do elenco são Richard Roxburgh (Vernon Presley), Kelvin Harrison Jr. (B. B. King), Luke Bracey (Jerry Schilling), Dacre Montgomery (Steve Binder), David Wenham (Hank Snow), Kodi Smit-McPhee (Jimmie Rodgers Snow) e Olivia DeJonge (Priscilla Presley).
O que me entristece ao assistir a esses filmes biográficos é perceber que os artistas nossos ídolos, na sua grande maioria, têm uma dificuldade enorme em conviver com a solidão da vida pessoal ao mesmo tempo em que são endeusados por milhões de fãs enlouquecidos. Após a veneração do gigante público em shows e eventos, o artista que tanto amamos parece perdido, solitário e desencantado no isolamento dos quartos de hotéis nas muitas viagens de turnês, quase sempre procurando abrigo e força nos entorpecentes. É o extremamente pesado e nem sempre suportável fardo da fama. Triste.  
Um grande abraço espinosense.