O ano de 2025 foi bastante conturbado na Cidade do Galo. Desde o início do ano, ainda na disputa do Campeonato Mineiro, o ambiente no Clube Atlético Mineiro esteve cheio de sobressaltos. O time sub-23 que representou o clube nas primeiras partidas da competição estadual foi mal, complicando a classificação para a fase seguinte. Só com o retorno dos titulares é que o time conseguiu reagir e chegar à final contra o América e conquistar com competência o memorável Hexacampeonato Mineiro.
Na Copa do Brasil o time fez bonito até as oitavas de final, eliminando o poderoso Flamengo de Arrascaeta nos pênaltis. Aí, nas quartas de final, fez muito feio, perdendo duas vezes seguidas para o arquirrival Cruzeiro pelo placar de 2 x 0, dando adeus ao título do torneio nacional e a um pacote de dinheiro das premiações.
Na Copa Sul-Americana o time fez uma campanha completamente irregular, inconstante e titubeante, deixando os nervos da torcida em tensão máxima. Alternou bons jogos com atuações desastrosas, chegando de maneira quase inacreditável à final da competição ainda com o favoritismo contra a equipe argentina do Lanús. Na hora da decisão, de mostrar sua força e superioridade sobre o valente e aguerrido adversário, o time tropeçou nas suas próprias fragilidades e viu mais um título continental importante ser comemorado pelo oponente, repetindo o ano de 2024, quando perdeu de forma vexatória para o Botafogo na final da Copa Libertadores da América.
No Campeonato Brasileiro, havia a esperança de uma recuperação técnica, tática e física e um desempenho mais satisfatório da equipe, mas não foi o que a bipolar e exigente torcida atleticana viu acontecer em campo. Alguns atletas do elenco não renderam o esperado e a revolta dos torcedores colocou ainda mais pressão no ambiente do clube, que passou por momentos de dificuldade financeira para honrar os compromissos. A confiança dos jogadores foi-se embora, percebia-se claramente em suas atuações apagadas. O trem desandou. A posição desconfortável na tabela de classificação, entre os que lutavam contra o rebaixamento, não batia com a meta de conquistar uma vaga na Libertadores. O alívio só veio na penúltima rodada, na partida que confirmou a continuação na Série A.
O ano de 2026 chegou com a necessidade urgente de uma reformulação volumosa no Galo. Jogadores que não renderam o desejado foram desligados e outros seguiram seu caminho na carreira profissional, depois de bons serviços prestados ao clube. Entre os que decepcionaram, Biel e Caio Paulista foram descartados, o primeiro aguarda propostas até o final do seu empréstimo (junho/2026) e o segundo foi liberado para o Grêmio. Sem se firmar, Fausto Vera foi para o River Plate, emprestado. João Marcelo foi emprestado ao Shabab Al Ahli, dos Emirados Árabes. O goleiro Gabriel Átila não teve oportunidades de jogar e foi vendido para o Vila Nova (GO). Entre os que honraram com méritos o Manto Sagrado Alvinegro, um dos maiores ídolos do clube, Guilherme Arana, assinou contrato com o Fluminense após seis temporadas de conquistas defendendo o time mineiro. Merece toda nossa gratidão e respeito. Jogou 271 partidas, fez 23 gols e deu 37 assistências e foi Campeão nove vezes: Campeão Brasileiro (2021), da Copa do Brasil (2021), da Supercopa do Brasil (2022) e Hexacampeão Mineiro (2020 a 2025). Outro que foi importante durante sua passagem pelo clube foi Saravia, que aguarda uma proposta de outro clube. Ainda negociando permanência estão Rony e Hulk. Não faço questão de manter o Rony, que considero peça importante, mas não abriria mão de maneira alguma de contar com o futebol e a liderança de Hulk por mais uma temporada, a derradeira do seu contrato. Hulk, mesmo quase quarentão, ainda faz a diferença em campo. Fez 21 gols em 63 jogos em 2025, bons números. Um ídolo que decide jogos, que traz lucros dentro e fora de campo e que merece ser valorizado e respeitado pela sua gloriosa trajetória no Atlético. Se eu sou o Menin, Hulk fica!
Se falei das muitas saídas, não há muito a dizer das chegadas. Até o momento, a atuação dos comandantes do Atlético é tímida, quase nula. Muita especulação de nomes, como Maycon, volante do Shakhtar Donetsk emprestado ao Corinthians; Juninho Capixaba, lateral-esquerdo do Red Bull Bragantino; Matías Galarza, volante do Talleres; Vitor Carvalho, volante do Braga; Fred, volante do Fenerbahçe. O Único reforço até o momento é o lateral-esquerdo Renan Lodi, que estava livre no mercado desde setembro, depois de rescindir seu contrato com o Al Hilal, da Arábia Saudita. Até agora, nada mais! Está feia a coisa!
O ano já começou, o time já estreia no próximo domingo, dia 11 de janeiro, contra o Betim, na Arena MRV. Provavelmente o clube colocará em campo um time alternativo, o que deverá também acontecer na partida contra o North aqui em Montes Claros, na quarta-feira, dia 14 de janeiro. Sem reforços, fatalmente ficará muito mais difícil superar o nosso arquirrival para conquistar pela sétima vez consecutiva a taça do Campeonato Mineiro. Para a disputa do Brasileiro e da Sul-Americana, mais complicada é a situação, pois a cada ano os adversários se fortalecem, investindo em bons jogadores para formarem equipes competitivas. Se a administração continuar com essa sovinice e demora na contratação de atletas de qualidade, o futuro pode ser terrível para o Atlético. Se cair para a segunda divisão mais uma vez, retornar pode ser arriscado e talvez improvável. Cuide-se, Galo! Abra o olho!
Enquanto isso, o nosso arquirrival conseguiu errar feio com a contratação do Gabigol, com Pedrinho BH Lourenço levando um prejuízo gigantesco, mas por outro lado, conseguiu contratar ótimos jogadores que estão "arrebentando", casos principalmente de Kaio Jorge e Mateus Pereira, montando uma equipe extremamente competitiva e que vai dar trabalho para os adversários neste ano. Se o rival se der bem nas competições desta temporada e o Atlético fracassar mais uma vez, a turma da SAF verá a reação raivosa da Massa Atleticana se intensificar e muito. Espero que o pessoal acorde do marasmo e aja rapidamente para oferecer ao técnico Jorge Sampaoli um elenco qualificado, forte e competitivo para que o clube continue no topo, brigando pelos principais títulos das competições nacionais e internacionais. Que assim seja! Eu, como sempre, acredito! Aqui é GALO, até morrer!
Um grande abraço espinosense.



