Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

502 - As metamorfoses da nossa Praça Coronel Heitor Antunes

Nada melhor do que uma velha fotografia para se voltar no tempo e perceber como as coisas mudam na nossa vida e nos lugares que visualizamos quase sempre em nossa cidade. 
Esta primeira fotografia mostra a Praça Coronel Heitor Antunes, em data indeterminada (acredito eu que por volta dos anos 60), quando o espaço era apenas um extenso largo sem nenhuma benfeitoria. Os prédios da prefeitura e do mercado já estavam lá, imponentes, e as casas coladas umas às outras era a realidade da época. Reparem no casarão dos Cangussu, que já não existe, onde hoje está construído o Centro Empresarial Caroline Ághata. 
Nas outras fotografias pode-se notar a presença de um cobiçado veículo Ford estacionado em frente à Igrejinha, naqueles tempos em que a praça era rodeada de enormes árvores Fícus, que também já desapareceram. Nota-se também o antigo prédio do Cinema de Zé Dias, onde está atualmente o comércio de Naim Antunes, e a Casa Fátima de Sêo Guilherme, onde comecei a trabalhar aos 14 anos de idade. Quanto tempo e quantas transformações já se passaram na bela e relevante praça do centro do poder municipal!
Um grande abraço espinosense.



















501 - Olimpíada de Matemática 2011 - Mato Verde se destaca na região norte-mineira

Na última segunda-feira, dia 27 de agosto, no imponente Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a presidente Dilma Rousseff participou da cerimônia de entrega das medalhas aos alunos vencedores da 7ª OBMEP - Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas de 2011. O estado de Minas Gerais foi o grande vencedor, conquistando 111 medalhas de ouro, com o Rio de Janeiro em segundo com 84 e São Paulo em terceiro com 78.
De acordo com a organização da OBMEP, no ano de 2011 participaram da olimpíada mais de 18 milhões de estudantes de 44 mil escolas de todo o país. Podem disputar alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de instituições públicas municipais, estaduais e federais.
Além das 500 medalhas de ouro, a OBMEP 2011 também premiou 900 estudantes com medalhas de prata e outros 1.802 com medalhas de bronze.
A OBMEP é um projeto do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), que tem como objetivo estimular o estudo da matemática e revelar talentos da área. É promovida pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC).
Iniciada em 2005, a Olimpíada serve como critério para o programa "Ciência sem Fronteiras". Além disso, o desempenho do aluno possibilita a participação em programas de mestrado e de iniciação científica.
Fonte: obmep.org.br  
Os premiados aparecem de todos os recantos do país, desde a metrópole São Paulo, com seus 11.316.149 habitantes, até a pequena Sem Peixe, da zona da mata mineira com seus 2.847 habitantes, o que mostra a possibilidade de sucesso de dedicados alunos e professores, mesmo em escolas sem muitos recursos financeiros.

Na nossa região o destaque positivo ficou por conta da cidade de Mato Verde, que com excelentes resultados da Escola Estadual Eduardo Frieiro e principalmente da Escola Estadual Professor José Américo Barbosa, conquistou 4 medalhas de prata, 4 de bronze e muitas menções honrosas. Também foi premiada com um computador portátil a professora Alaíde Antunes das Chagas e Freitas, da Escola Estadual Professor José Américo Barbosa, pelo belíssimo trabalho desenvolvido.
Em Espinosa, o máximo que conseguimos foram algumas menções honrosas, o que não deixa de ser uma boa indicação de que podemos alcançar um resultado melhor no futuro. Que tal se os professores de matemática de Espinosa entrassem em contato com a professora premiada Alaíde, de Mato Verde, para aprenderem o seu método de trabalho que rendeu tão especiais resultados? Fica a dica.  
Vamos a uma relação dos premiados da nossa região:
MEDALHA DE OURO - NÍVEL 1
Gustavo de Souza Amorim (E E Presidente Tancredo Neves) - Taiobeiras
Mateus Pinheiro Lima de Oliveira (E E João de Freitas Neto) - Montes Claros
MEDALHA DE OURO - NÍVEL 2
Dayana Lavyne Santos Oliveira (Colégio Tiradentes PMMG) - Montes Claros
MEDALHA DE OURO - NÍVEL 3
Jair Gomes Soares Júnior (E E Deputado Esteves Rodrigues) - Montes Claros
Mateus Henrique Ramos de Souza (E E Fernão Dias) - Pirapora

MEDALHA DE PRATA - NÍVEL 1
Daiane Santos Bandeira (E E Presidente Tancredo Neves) - Taiobeiras
Erick Mendes Almeida (E E José Drumond) - Grão Mogol
Pablo Mikael Medeiros da Silva (E E Belvinda Ribeiro) - Montes Claros
Silvano Freitas Xavier (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Vitória Silva Barbosa (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
MEDALHA DE PRATA - NÍVEL 2
Emanuelle Gonçalves Campanha (Colégio Tiradentes PMMG) - Montes Claros
Gustavo Silva Barbosa (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Heliel Teógenes Morais Marques (E E Professor Alcides de Carvalho) - Montes Claros
Lúcio Meira David (E E João de Freitas Neto) - Montes Claros
Marluce Roberta Camargo Barbosa (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Mattheus Pereira da Silva Aguiar (Colégio Tiradentes PMMG) - Diamantina
Vítor Matheus Santos Batista (E E Professora Dulce Sarmento) - Montes Claros
MEDALHA DE PRATA - NÍVEL 3
Éverton Nunes de Jesus (E E Miguel José da Cunha) - Porteirinha

MEDALHA DE BRONZE - NÍVEL 1
Caio Daniel Nunes Santos (E E Antônio Mendes da Silva) - Porteirinha
Carlos Aparecido Camargo Silva (E E Eduardo Frieiro) - Mato Verde
Cláudio Juliano Santos Alcântara (E M Dona Vidinha Pires) - Montes Claros
Emilly Lacerda Silva (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Esteves Emmanuel Melo Ferreira (E E Simão da Costa Campos) - Lontra
Fernando Hansen Soares Borges (Colégio Tiradentes PMMG) - Montes Claros
Filipe Prates F. E. Maia Gonçalves (Colégio Municipal Ministro Luiz Viana Filho) - Mortugaba
Igor Nahan Martins Souza (E E Alcides Mendes da Silva) - Porteirinha
Marcelly Christiane Santos de Melo (E E Professor Plínio Ribeiro) - Montes Claros
Nádia Stéphane Mota Neres (CAIC E M Dominguinhos Pereira) - Montes Claros
Samuel Oliveira Pinto (E M do Bom Menino) - São Francisco
Thiago Vinícius Freitas Santos (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Uriel de Melo Rocha (Colégio Tiradentes PMMG) - Diamantina
MEDALHA DE BRONZE - NÍVEL 2
Henrique Nogueira Bastos (E E Maurício Augusto de Azevedo) - Janaúba
Isadora Martins Santos (E E Alcides Mendes da Silva) - Porteirinha
Josseb Josué de Castro e Araújo (Colégio Tiradentes PMMG) - Montes Claros
Wellington Soares da Silva (E E Eduardo Frieiro) - Mato Verde
MEDALHA DE BRONZE - NÍVEL 3
Iago Alberte Rodrigues Eleutério (E E Professor Plínio Ribeiro) - Montes Claros

PROFESSORES PREMIADOS
Alaíde Antunes das Chagas e Freitas (E E Professor José Américo Barbosa) - Mato Verde
Íris de Fátima de Oliveira Campos (E E Coronel Jonas Câmara) - Itamarandiba
Maria Jacqueline Xavier de Carvalho (Colégio Tiradentes PMMG) - Montes Claros

MENÇÕES HONROSAS
Camila Maria Alves Tolentino (E E Comendador Viana) - Espinosa
Deivid Frank Silva (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Deyvisson Batista Nunes (E E Comendador Viana) - Espinosa
Fábio Soares dos Santos (E E Joaquim de Freitas) - Espinosa
Gabriella Silveira Cardoso (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Genílson Soares de Santana (E E Joaquim de Freitas) - Espinosa
Gislane Dantas Soares (E E Comendador Viana) - Espinosa
Iessa Thaynah Lino Ferreira (E E Comendador Viana) - Espinosa
Igo Tolentino Freitas (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Irvely Luana Muniz Santos (E E Comendador Viana) - Espinosa
Istael Sátiro Santos (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Ivan Marques Custódio (E E de Monte Azul) - Monte Azul
Ive Karoline Batista Cruz (E E Comendador Viana) - Espinosa
Jéssica Mirelle Souza Rocha (E E Comendador Viana) - Espinosa
João Víctor Santos Martins (E E Comendador Viana) - Espinosa
José Inocêncio Dias Balieiro (E E Comendador Viana) - Espinosa
Kamilla Tolentino Freitas (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Lucas Ítalo Muniz Santos (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa 
Magno Marques Pereira Teixeira (E E de Monte Azul) - Monte Azul
Natan Felipe Pereira Dantas (E E Betânia Tolentino Silveira) - Espinosa
Rayane Dias da Silva (E E Comendador Viana) - Espinosa
Rhuan Gabriel Oliveira Cruz Alkimim (E E Comendador Viana) - Espinosa
Wanderlúcia Ramos Pereira (E E Santos Dumont) - Espinosa
Wender Freitas Lopes (E E Antônio Cardoso da Silva) - Monte Azul
Wilson Teixeira Ribeiro Júnior (E E Comendador Viana) - Espinosa

Parabéns a todos os alunos e professores das escolas espinosenses e monte-azulenses em destaque, pelo seu esforço e dedicação.
Um grande abraço espinosense.

500 - Umbuzeiro, a árvore sagrada do Sertão

Esta é a postagem de número 500, um número bastante significativo para este nosso blog. Vocês talvez não imaginem o trabalho que dá disponibilizar para vocês essas postagens sobre assuntos variados semanalmente. Mas o trabalho duro é totalmente compensado pelo prazer de estar espalhando fatos, imagens, notícias e curiosidades sobre o povo e a cidade de Espinosa pelo mundo virtual, recebendo respostas de pessoas de várias partes do país. Mais uma vez obrigado a todos vocês que passeiam por este espaço democrático, pelo apoio e motivação. E obrigado ao conterrâneo Zé Lúcio, uma mente criativa e privilegiada que me influenciou a entrar nesse mundo tecnológico.
Para marcar esse número importante de postagem, realmente uma conquista, vou falar de uma dádiva da natureza muito encontrada em nossa cidade, o nosso umbuzeiro.  
Por estar em uma região do semiárido brasileiro, nossa cidade sofre anualmente as duras consequências da seca, que causa prejuízos enormes na agricultura e na economia e obriga centenas de cidadãos espinosenses a se deslocar para outras regiões do país em busca de trabalho e da sua sobrevivência. Neste cenário de tristeza e desolação, algumas árvores nativas dão um belo exemplo de força e resistência, sendo fundamentais no cotidiano dos sertanejos. Uma das mais importantes da nossa região é, sem dúvida, o umbuzeiro. Nada mais prazeroso do que subir em um umbuzeiro e comer (ou chupar) aqueles frutos suculentos e saborosos de gosto agridoce. Ou ainda, em casa, descascá-los como se fossem laranjas (quando de vez), cortá-los em fatias e saborear o seu gosto travoso especial. Adoro umbu.
Com o nome científico de Spondias Tuberosa, da família botânica Anacardiaceae, o umbuzeiro ou imbuzeiro, considerada pelo escritor Euclides da Cunha a "árvore sagrada do Sertão", é uma árvore de pequeno porte, copa larga e grande resistência, podendo viver por aproximadamente 100 anos. Em muitas regiões do nordeste brasileiro, como o agreste, o cariri e a caatinga, é de importância fundamental na subsistência dos moradores de mais baixa renda. No sertão baiano, atualmente, existem alguns projetos de beneficiamento do umbu em minifábricas, passando a gerar renda para a população.
Sua raiz é de grande valia no sertão pois produz uma espécie de tubérculo que armazena água durante a época das chuvas e, em época de grande estiagem, é utilizada como alimento tanto pelos humanos quanto pelos animais.

O umbuzeiro perde totalmente as suas folhas durante a época seca e reveste-se de novas folhas logo após as primeiras chuvas. 60 dias após a abertura da flor o fruto estará maduro. A frutificação inicia-se em período chuvoso e permanece por 60 dias. Cada planta pode produzir 300 kg de frutos/safra (15.000 frutos).
O umbuzeiro cresce em estado nativo, nas caatingas elevadas de ar seco, de dias ensolarados e noites frescas. Requer clima quente, temperatura entre 12ºC e 38ºC, umidade relativa do ar entre 30% e 90%, insolação com 2.000-3.000 horas/luz/ano e 400 mm a 800 mm de chuva (entre novembro e fevereiro), podendo viver em locais com chuvas de 1.600 mm/ano. Vegeta bem em solos não úmidos, profundos, bem drenados, que podem ser arenosos e silico-argilosos, mas é bom evitar seu plantio em solos que estejam sujeitos ao encharcamento.
A propagação do umbuzeiro pode ser feita através da semente, de estacas de ramo ou de enxertia. Para a obtenção de pomares uniformes e com indivíduos com características de plantas com boa produção e qualidade do fruto, sugere-se a obtenção via enxertia.
O nome do seu fruto é derivado da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber".O fruto, umbu ou imbu, tem um diâmetro médio de 3 cm, com peso entre 10 e 20 gramas, forma arredondada a ovalada, constituído por casca (22%), polpa (68%) e caroço (10%), cor esverdeada passando a amarela quando maduro. O fruto, rico em vitamina C, é muito perecível e sua polpa é quase aquosa quando madura. É consumido ao natural, comido quando "de vez" e chupado quando maduro, com sua polpa suculenta e seu gosto agridoce, sendo também utilizado para fazer refrescos, sucos, sorvetes, doces, geleias,  podendo ser misturado a bebidas, nas batidas, ou misturado ao leite, nas umbuzadas.
Fonte:  seagri.ba.gov.br
Veja abaixo dois vídeos que tratam do umbuzeiro. O primeiro, uma música de Luiz Gonzaga e João Silva, "Umbuzeiro da saudade", na voz de Maria Dapaz. O segundo, um belo e triste lamento na voz da dupla Kara Véia e Carlos Cavalcante, "Pé de umbuzeiro".
Um grande abraço espinosense.


499 - Marighella, um personagem das sombras

Muitos dos brasileiros, talvez a grande maioria, jamais ouviram falar de um dos mais controvertidos personagens da história recente do Brasil e um combatente ferrenho da brutal ditadura militar, que por 21 anos assumiu o controle do país, o baiano Carlos Marighella. Por sua luta incansável contra a tirania que comandou o Brasil depois do golpe militar de 1964, ele foi considerado o inimigo número 1 do poder e caçado vigorosamente e sem tréguas pela polícia política, vivendo escondido a maior parte da sua vida.
Para comemorar os 100 anos do seu nascimento, a sua sobrinha, a diretora e socióloga Isa Grinspum Ferraz decidiu fazer um documentário para contar a sua história. O filme, que reúne documentos, fotografias e vários depoimentos, tem a participação de Lázaro Ramos na narração e estreou agora em agosto nos cinemas.
É uma boa oportunidade para que as pessoas, principalmente os jovens, conheçam um personagem fundamental da dramática história da ditadura militar no Brasil, governo cruel que cassou a liberdade de imprensa, restringiu a liberdade dos cidadãos, censurou criações artísticas, torturou e matou adversários políticos do regime em uma época pouco conhecida da maioria dos brasileiros. Não deixe de assistir. É preciso que conheçamos profundamente a nossa verdadeira história, as nossas raízes, as nossas mazelas, os nossos heróis, os nossos algozes, a crueza dos fatos que nos antecederam.
O bravo militante comunista baiano nasceu aos 5 de dezembro de 1911 em Salvador, filho de um imigrante italiano, o operário Augusto Marighella e de Maria Rita do Nascimento, uma negra filha de escravos. Quando cursava Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia, aos 18 anos, começou a despertar o interesse pelas lutas sociais e ele entrou para o Partido Comunista. Em 1932, aos 21 anos, foi preso pela primeira vez ao escrever em versos uma crítica ao então interventor da Bahia, Juracy Magalhães. No ano de 1936 abandonou o curso e mudou-se para São Paulo, enviado pela direção do partido para reorganizar o Partido Comunista, então esfacelado após as lutas de 1935, na conhecida Intentona Comunista. Novamente foi preso por subversão e acabou sendo torturado. Foi libertado depois da anistia assinada pelo Ministro da Justiça Macedo Soares em 1937. Pouco tempo depois, Getúlio Vargas deu o golpe do Estado Novo e o Partido Comunista foi colocado na clandestinidade. Devido à sua forte militância, Carlos Marighella incomodava o governo e novamente foi preso e desta vez, enviado à prisão em Fernando de Noronha, no ano de 1939. Saiu dali para o presídio da Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, três anos depois, ao lado dos seus companheiros presos.
Na segunda guerra mundial, com  a vitória dos aliados sobre os nazistas e fascistas em 1945, houve nova anistia e o Partido Comunista voltou à legalidade. Assim, Carlos Marighella foi eleito deputado constituinte.
Mas o partido voltaria à clandestinidade mais uma vez com o fim do Estado Novo e a vitória do general Eurico Gaspar Dutra que, depois de tomar posse em 1946 com grande apoio dos conservadores, iniciou grande perseguição ao Partido Comunista.
Nesta época é que nasce o seu filho Carlos Augusto Marighella, fruto do seu relacionamento com Elza Sento Sé. Neste período de clandestinidade, contrariava a direção do partido por suas posições extremamente esquerdistas. Participou da famosa "Greve dos Cem Mil" e da campanha "O Petróleo é Nosso" no ano de 1953, bem como viajou à China e à União Soviética para acompanhar de perto as transformações comunistas. Foi também nesta época que conheceu a aeromoça e também militante Clara Charf, com quem a partir dali, viveu até a morte.
Com a eleição de Juscelino Kubitschek, depois da morte de Getúlio Vargas, as coisas melhoraram um pouco para Carlos Marighella, que finalmente pôde então levar uma vida normal ao lado da sua companheira Clara, usando não mais da clandestinidade e de codinomes, mas os seus verdadeiros nomes de batismo. Depois do governo Juscelino, Jânio Quadros ganha as eleições, mas fica pouquíssimo tempo no poder, renunciando devido às, até hoje não muito esclarecidas, "forças ocultas". Com a posse de João Goulart, o Partido Comunista retorna à legalidade. Mas em 1964, a ditadura militar tomaria o poder no golpe de estado de 31 de março. Os comunistas, novamente, seriam perseguidos. Ao ser preso em um cinema da Tijuca, no Rio de Janeiro, Marighella reage e é baleado no peito, mas consegue sobreviver e fica encarcerado por 80 dias. Retorna à militância e por suas posições divergentes com a direção do partido, é expulso. Com a ideia na cabeça de que a única maneira de combater a violenta ditadura implantada no país, seria através da luta armada, decide fundar a Ação Libertadora Nacional (ALN). A organização começa a praticar vários atos radicais contra o regime, inclusive assaltando bancos para arrecadar fundos. Em uma ação conjunta espetacular com o grupo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sequestra o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick e exige em troca a leitura de um manifesto e a liberdade de 15 presos políticos.
A ditadura aumentava a repressão contra os comunistas e os revolucionários, com o uso da força e da tortura nos interrogatórios. Carlos Marighella se tornou o alvo principal da violenta polícia política, o temido Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), e teve a sua fotografia espalhada por todo o país como "procurado".  
No dia 4 de novembro de 1969, às oito horas da noite, uma emboscada armada na Alameda Casa Branca, em São Paulo, iria por fim à caçada. Depois de prender alguns frades dominicanos companheiros de Marighella e torturá-los impiedosamente até conhecer a forma como ele os contactava, a polícia, liderada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, armou uma emboscada com dezenas de policiais. Os freis Fernando e Ivo foram colocados algemados dentro de um fusca azul parado na rua, enquanto o delegado Fleury e a investigadora Estela fingiam ser namorados dentro de outro carro estacionado ali perto. Outros policiais estavam escondidos em outros carros e por toda a rua. Logo que Marighella apareceu caminhando na calçada do outro lado da rua, os policiais iniciaram a fuzilaria, abrindo fogo contra o tão procurado revolucionário, enquanto os frades eram rapidamente retirados do fusca. Sem reagir, ele morreu depois de ser atingido por quatro disparos. Para favorecer a versão da polícia, ele teve o seu corpo levado para o banco traseiro do Volkswagen, onde foi fotografado. No intenso tiroteio executado pelos policiais, três pessoas foram atingidas. O delegado Rubens Tucunduva ficou gravemente ferido e a investigadora do DOPS Estela Borges Morato e o protético alemão Friederich Adolf Rohmann, que furou o bloqueio na rua com o seu carro, morreram. Toda essa história pode ser encontrada no livro "Batismo de Sangue", de Frei Betto, e na versão cinematográfica filmada por Helvécio Ratton.
O delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury morreu ao 1° de maio de 1979, por afogamento, supostamente depois de escorregar de sua lancha Adriana I, ancorada no cais de Ilhabela, no litoral paulista. Há porém, suspeitas de que ele foi assassinado a mando de chefes do regime, por não ter sido o seu corpo necropsiado por ordens superiores, e por ser ele um verdadeiro e perigoso arquivo vivo. Ele foi um dos mentores do famoso "Esquadrão da Morte", a milícia clandestina que se especializou em matar inúmeros supostos bandidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. 
No ano de 1996, o Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Carlos Marighella e em 2008, saiu a decisão judicial de que a sua companheira Clara Charf tinha direito a receber pensão vitalícia do governo brasileiro.
Marighella era também poeta e escritor e deixou obras escritas como o "Manual do Guerrilheiro Urbano", "Algumas questões sobre a guerrilha no Brasil", "Por que resisti à prisão", "Alguns aspectos da renda da terra no Brasil", "A crise Brasileira", "Pela Liberdade do Brasil", "Ação Libertadora", "Teoria e Ação Revolucionária".

Veja aqui o trailer do documentário "Marighella", de Isa Grinspum Ferraz.



Aqui você vê o documentário "Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro" de Sílvio Tendler (2001)