Um dos últimos craques fora de série do futebol brasileiro, talvez o último daqueles bastante habilidosos e com intimidade ímpar com a bola, um autêntico camisa 10 de tantas boas lembranças para os torcedores brasileiros que viram brilhar Pelé, Zico, Ronaldinho Gaúcho, Ademir da Guia, Tostão e Rivellino, o mogicruzense Neymar da Silva Santos Júnior atraiu a atenção do mundo da bola nesta semana de convocação dos jogadores para a disputa da Copa do Mundo do Canadá, Estados Unidos e México.
Com o Brasil dividido entre os que efusivamente o queriam de volta à Seleção após quase três anos de ausência e os descrentes que acham que ele já não consegue jogar competitivamente em alto nível como antes, Neymar venceu a briga e estará no elenco do treinador italiano Carlo Ancelotti em busca do Hexacampeonato mundial.
No espalhafatoso evento produzido pela CBF-Confederação Brasileira de Futebol no belo Museu do Amanhã para a divulgação da relação dos 26 jogadores que irão vestir a famosa "Amarelinha" (ou "Azulzinha") na próxima Copa do Mundo da FIFA, Neymar foi ovacionado pelos presentes, entre patrocinadores, jornalistas, ex-jogadores, torcedores e demais pessoas ligadas ao futebol. Depois de seu nome ter sido dito ao microfone por Ancelotti, o auê da comemoração fez parar por alguns minutos o anúncio dos demais atletas. Neymar, o menino Ney, ainda mostra ter grande poder no futebol mundial e estará talvez em campo, talvez no banco de reservas, na disputa da sua quarta Copa do Mundo. Neymar jogou pela Seleção Brasileira na Copa de 2014, no Brasil, contra a Croácia (3 x 1 em 12 de junho); México (0 x 0 em 17 de junho); Camarões (4 x 1 em 23 de junho); Chile (1 x 1 e 3 x 2 nos pênaltis em 28 de junho) e Colômbia (2 x 1 em 4 de julho). Neste último jogo ele se lesionou na coluna, deixando o time que iria ser eliminado pela Alemanha na semifinal com a trágica goleada de 7 x 1. Marcou 4 gols. Na Copa de 2018, na Rússia, Neymar jogou contra Suíça (1 x 1 em 17 de junho); Costa Rica (2 x 0 em 22 de junho); Sérvia (2 x 0 em 27 de junho); México (2 x 0 em 2 de julho) e na eliminação para a Bélgica (1 x 2 em 6 de julho). Marcou 2 gols. Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, Neymar jogou contra Sérvia (2 x 0 em 24 de novembro); ficou de fora lesionado contra Suíça (1 x 0 em 28 de novembro) e Camarões (0 x 1 em 2 de dezembro); atuou contra a Coreia do Sul (4 x 1 em 5 de dezembro) e na eliminação para a Croácia (1 x 1 e 2 x 4 nos pênaltis em 9 de dezembro). Neymar marcou 2 gols.
Confirmado no elenco, agora a Pátria de Chuteiras aguarda esperançosamente que o craque responda positivamente ao apoio da torcida brasileira, dedicando-se na preparação e atuando com eficiência e vontade nas partidas, aparecendo com seu indiscutível belo futebol na marcação de gols e nos passes decisivos para os companheiros, as tais assistências. A verdade é que, se o Brasil for bem na Copa, levantando a taça de Campeão do Mundo mesmo sem ser o maior favorito, Neymar e quem o levou, Ancelotti, serão endeusados, entrando para a História do Futebol Brasileiro como ídolos eternos e grandes vencedores. Caso contrário, com o fracasso brasileiro em campo, veremos certamente a ambos um tsunami de críticas pesadas, uma avalanche de achincalhamentos, às vezes injustos e exagerados.
Por suas convicções políticas e mais ainda por suas controversas atitudes cotidianas, Neymar tornou-se uma figura célebre ao mesmo tempo amada e odiada no seu próprio país, desde seu desentendimento com o Dorival Júnior e a crítica ácida do Renê Simões em setembro de 2010.
Neymar, evangélico supostamente conservador, tem quatro filhos com três mulheres diferentes: Davi Lucca, com Carolina Dantas; Mavie e Mel, com Bruna Biancardi; e Helena, com Amanda Kimberlly. Foi protagonista de várias tretas com mulheres, treinadores, jornalistas, torcedores, companheiros (Robinho Júnior, o mais recente), patrocinador e a Justiça. Em campo, o craque diferenciado sempre se destacou, ganhando títulos, marcando gols e dando assistências, tornando-se milionário em pouco tempo com a justa valorização do seu talento. Na Seleção Brasileira, disputou três Copas do Mundo da FIFA (2014, 2018 e 2022) e três edições da Copa América (2011, 2015 e 2021), sem sucesso. Foi Campeão do Campeonato Sul-Americano de 2011, Campeão dos Jogos Olímpicos de 2016 (primeiro título olímpico da História) e Campeão da Copa das Confederações FIFA de 2013. É o atual maior artilheiro da Seleção Brasileira segundo a contagem da FIFA, com 79 gols marcados.
É óbvio que eu tenho minha opinião própria sobre o Neymar. E jamais vou ter medo de divulgá-la, seja onde for, desagrade quem quer que seja. E aqui está ela. Neymar certamente é o último dos grandes gênios da bola brasileiros. Quem sabe, o derradeiro craque da camisa 10 tradicional, aquele que era o maestro da equipe, o que tinha a maior qualidade técnica e que criava quase todas as jogadas de ataque. O futebol mudou bastante e hoje, mesmo os craques refinados, necessitam de um condicionamento físico elevado para que possam jogar em igualdade de condições com os adversários. É triste, mas irrefutável. Fosse eu o treinador da Seleção, eu não o levaria, assim como o Dunga não levou o genial Ronaldinho Gaúcho para a Copa do Mundo de 2010. O Ronaldinho é o "Bruxo", um dos maiores e melhores da História do Futebol, mas nunca se dedicou fisicamente à carreira de atleta profissional, assim também como o Romário e o Sócrates. O Baixinho, surpreendentemente, jogou até os 40 anos, fazendo gols adoidado ali no curto espaço que mais conhecia, a pequena área. Se Ronaldinho tivesse o espírito competitivo do Cristiano Ronaldo, ele seria ainda mais extraordinário e vencedor, batendo recordes e conquistando títulos. Mas Ronaldo não está errado, pois brincar de viver é uma dádiva de Deus! Cada um na sua, sem cobranças. Assim também ocorreu com Neymar, que colocou outras preferências na sua vida além do futebol, o que acabou lhe prejudicando, principalmente na questão física. Aos 34 anos, ainda novo no estágio atual do futebol mundial, o mimado e imaturo Neymar poderia estar fazendo a diferença no Santos, mas apesar do seu esforço e qualidade técnica apurada, não é o que vem ocorrendo nos gramados do país. O Santos vai mal, mesmo com Neymar. Tudo bem que o elenco santista não ajuda, mas infelizmente a realidade é que Neymar já não é mais aquele que encantou o mundo. É aí que deveria entrar a humildade, como acontece com outro gênio da bola, o gigante Lionel Messi, que aos 38 anos, aproxima-se da triste hora de pendurar as chuteiras. E Messi sabe e aceita com naturalidade e sabedoria que ele já não é o cara que faz sozinho a diferença em campo como antigamente, aceitando ser apenas um ponto de apoio aos companheiros e um humilde coadjuvante. Espero que Neymar consiga compreender a idêntica situação que levou o gênio Lionel Messi a ser o iluminado capitão a levantar a taça de Campeão do Mundo com sua Argentina em 2022. Na Copa deste ano, certamente a última de Neymar, ele deverá se contentar em ser apenas um elo na engrenagem da equipe, com espaço e importância iguais aos companheiros, atuando coletivamente.
O fato é que, com ou sem Neymar, é hora de todos os que amam o futebol e especialmente a Seleção Brasileira, unirem-se na torcida para que a equipe canarinho se mostre coesa, qualificada, competitiva e eficiente para superar os adversários e trazer de volta a alegria com a conquista sempre memorável de uma Copa do Mundo. Vamos, Brasil, ao Hexa! Eu, como bom atleticano, acredito!
E Neymar deveria se cuidar, pois conforme o Frei Gílson, gente tatuada não vai pro Céu. Se isso for verdade, eu certamente irei, já que não possuo nenhuma tatuagem no corpo. Será? Vamos então rezar para que o Neymar se torne "endiabrado" em campo, assustando os marcadores rivais com suas muitas tatuagens, seus dribles desconcertantes e seus passes perfeitos, e que marque muitos gols que resultem em vitórias e na consequente trajetória que nos leve até a conquista da tão cobiçada taça. Aí poderemos questionar mais uma vez: "E o Neymar, hein?".
Um grande abraço espinosense.