Espinosa, meu éden

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terça-feira, 21 de abril de 2026

4045 - Qual o mistério no Atlético?

É um mistério irresolúvel o que anda acontecendo no Clube Atlético Mineiro, instituição gloriosa do esporte das Minas Gerais idolatrada por cerca de 8 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro. É notório que o clube alvinegro, em sua longa trajetória de 119 anos de existência, passou por vários momentos de turbulências e dificuldades sérias, mas sempre conseguiu se reerguer e alcançar feitos memoráveis. Nas décadas de 1910/20, ainda na fase amadora, o clube viu o seu maior rival da época, o América, tornar-se Decacampeão Mineiro. Nos anos 1960, viu o seu novo maior rival, o Cruzeiro, conquistar a hegemonia do futebol no Estado com um Pentacampeonato, de 1965 a 1969, com o timaço de Tostão e Dirceu Lopes. No final dos anos 1990 e nos anos 2000, em alguns momentos da História, completamente endividado e sem condições econômicas de formar um time competitivo, o Galo viu seu arquirrival goleá-lo impiedosamente em umas partidas, inclusive em finais de Campeonato Mineiro, como nos 5 x 0 em abril de 2008 e em abril de 2009. E houve mais situações desalentadoras para a apaixonada Massa Atleticana, especialmente em erros grotescos de árbitros que causaram prejuízos incalculáveis. Voltemos um pouquinho no tempo.
Um vexame histórico ocorreu nas finais da Copa Conmebol de 1995. Depois de vencer com folga o adversário Rosario Central no Mineirão por 4 x 0, o Galo conseguiu perder na Argentina pelo mesmo placar e ainda ser derrotado na disputa de pênaltis por 4 x 3, mesmo com o grande Cláudio André Mergen Taffarel no gol. Era o dia 19 de novembro de 1995. 
O rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2005 foi uma tristeza enorme para a torcida, mas um momento necessário de reinvenção do clube. A campanha foi deplorável: 21 derrotas em 42 jogos. Merecida a queda. O treinador era Lori Sandri.
E teve um resultado desastroso em 4 de dezembro de 2011, na derrota acachapante para o Cruzeiro por 6 x 1 na Arena do Jacaré em Sete Lagoas, na rodada final do Brasileirão. Na penúltima rodada, o Atlético havia vencido o Botafogo por 4 x 0 e se livrado matematicamente da possibilidade de rebaixamento. Era então a chance única de vencer o arquirrival e enviá-lo sem dor e remorso à Série B. Mas completamente relaxado e desconcentrado, o time alvinegro deu mole e levou uma goleada histórica de 6 x 1, virando chacota da torcida cruzeirense até os dias atuais. Cuca era o treinador à época.
Tivemos que amargar também a inesperada derrota em 18 de dezembro de 2013, em Marrakesh, para o Raja Casablanca, do Marrocos, por 3 x 1, na semifinal do Mundial da FIFA. Perdemos a chance de enfrentar o Bayern de Munique na final.
Outra página triste na História foi o vexame da eliminação na segunda fase da Copa do Brasil de 2020 para o Afogados da Ingazeira. Em jogo único fora de casa, empatou em 2 a 2 durante os 90 minutos e perdeu, nos pênaltis, por 7 a 6, ocasionando a demissão do técnico venezuelano Rafael Dudamel.


  
Outro vexame foi a perda do título da Copa Libertadores da América de 2024 para o Botafogo no Monumental de Núñez, no Paraguai, mesmo com o time carioca ficando com um jogador a menos a partir dos 29 segundos do primeiro tempo, quando o atleta Gregore foi expulso de campo. Luiz Henrique, Alex Telles e Júnior Santos marcaram para o Campeão Botafogo, Eduardo Vargas descontou para o time de Gabriel Milito. O vexame não se deve à derrota em si para aquele excelente time do Botafogo em fase iluminada, mas sim pela maneira desligada e sem vigor como o time atleticano se portou em campo, mesmo com um jogador a mais.
A perda da Copa do Brasil de 2024 não pode ser considerada como vexame, já que perdemos para um timaço, praticamente impossível de ser batido, o poderoso Flamengo de Filipe Luís. Depois de perder por 3 x 1 no Maracanã, fomos derrotados novamente na Arena MRV por 1 x 0, resultados plenamente esperados devido à superioridade irrefutável do clube rubro-negro carioca. Ali deu a lógica, simplesmente.
E o que não pode ser considerado vexame, mas sim uma decepção para a torcida atleticana foi a perda do título da Copa Sul-Americana para o Lanús da Argentina em 2025. Aqui sim, o Atlético, com melhor elenco, deveria ter se apresentado melhor, com mais determinação e vontade de ganhar o título, o que infelizmente não aconteceu.



Hoje não vou falar das nossas grandes conquistas. Vou tentar compreender o que se passa no clube nos últimos tempos, depois de uma jornada espetacularmente eficiente, qualificada e vitoriosa em 2021 sob o comando de Cuca, quando levantamos três taças: do Campeonato Mineiro, do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
Como o time caiu tanto de produção nesses últimos tempos? Por que tantos jogadores de bom nível de qualidade técnica não estão rendendo o que se espera deles? Que mistério é esse, Dadá Maravilha?
Tudo bem que o Hulk, nosso cracaço e ídolo eterno a quem devemos toda gratidão, já não tenha a força e velocidade de antes, muito por conta da idade, o que é normal. Tudo bem que bons jogadores tenham se desligado do clube. Mas outros bons jogadores chegaram, inclusive alguns bem jovens e com muita qualidade, como o Victor Hugo, por exemplo. Mas nada se encaixa, nada funciona, nada dá certo, até jogadores experientes cometem falhas infantis e inacreditáveis, como as do Lyanco e do Everson. É impressionante como certas coisas acontecem no Atlético. Troca-se de treinador como se eles fossem os culpados por tudo, mas não vejo isso como o problema crucial do clube. A realidade é que não temos mais um elenco em condições de competir com os maiores clubes do país, casos de Flamengo e Palmeiras. Em anos passados, mostramos força contra eles, mas agora não mais. Perdemos qualidade e competitividade com a reformulação no elenco. E o coitado do Eduardo "Barba" Domínguez, recém contratado, esforça-se para tentar encontrar um time ideal, realizando experiências e dando oportunidades a todos os jogadores, infelizmente até agora sem sucesso. Temos um desempenho pífio, inconstante, instável, oscilante e inseguro nesta temporada, o que já custou o título do Campeonato Mineiro. Da maneira que está jogando o time, não teremos a mínima chance de sucesso na Copa Sul-Americana nem na Copa do Brasil. E o mais preocupante, no Campeonato Brasileiro, a tendência é a queda para a Série B se continuarmos com essas performances inoperantes.
Muita gente sonhadora e incauta acreditou que bastava a instituição transformar-se em SAF para que todos os problemas terminassem, que as gigantes dívidas seriam quitadas e que um grande investimento seria realizado pelos famosos "4 erres". Pura ilusão, coitados! Os donos do Galo não são da mesma ideia do Pedrinho "BH" Lourenço, torcedor apaixonado que investe milhões e milhões no time do seu coração, o Cruzeiro. A turma que manda no Galo é dona de banco e ninguém faz loucura com dinheiro assim não. Ela ama de verdade o clube, mas não fará insanidades para ver o time campeão. E eles estão certos nisso. É preciso seguir o planejamento feito com os pés no chão. O problema é que alguém prometeu que o Atlético estaria no topo sempre e é aí que a coisa não se realizou como a torcida esperava. Com os corneteiros com espaço nas redes sociais para criticaram tudo e todos, a situação fica tumultuada quando o time não rende o esperado, com o ambiente ficando assim sempre perturbado, refletindo na atuação da equipe em campo.
Sei não, mas mesmo sendo um otimista racional, não crio muitas expectativas de alegrias para este ano não. Se a gente continuar na primeira divisão nesta temporada, temos é que comemorar muito e esperar uma boa reformulação do elenco para o próximo ano. E que um outro astro de qualidade superior venha para ocupar o lugar do Hulk. Que assim seja!
Uma dúvida. Será que alguém não repetiu a esdrúxula ideia de pintar de azul a Santa Maria da Cidade do Galo? Não será esta a maldição que nos assola?     
Um grande abraço espinosense.