Confesso que lágrimas desceram pelo meu rosto enrugado pelo tempo. Mas foram de alegria, de emoção, de alívio, de imenso contentamento! A sensação era de que Ricardinho estava ali presente ao meu lado, assistindo junto comigo a esta mais uma façanha incrivelmente extraordinária do nosso Clube Atlético Mineiro. Foi ontem, quarta-feira, 16 de setembro de 2026. O Atlético entrou em campo na sua linda e moderna Arena MRV lotada para enfrentar o Santos de Pelé, Pepe, Coutinho, Giovani, Diego e Paulo Henrique Ganso, agora já não tão poderoso como antigamente. A partida pela fase de quartas de final da Copa Sul-Americana era decisiva. No primeiro confronto, o Santos de Cuca havia tido uma excelente atuação na Vila Belmiro e vencido com merecimento pelo placar de 2 x 0, gols de Willian Arão e Christian Oliva. Agora, em Belo Horizonte, em seu quartel-general ou seu mandiocal, o Galo teria que fazer milagre mais uma vez, o de vencer com três gols de diferença para resolver rápido o problema, ou com dois, para tentar a sorte na imprevisível disputa nas cobranças de penalidades máximas. E tudo começou bem demais!
Logo no início do jogo, antes de se completar um minuto de bola rolando, o Atlético foi ao ataque e conseguiu marcar um gol. O pequeno gigante Bernard recebeu passe de Fred, livrou-se do zagueiro Willian Arão e chutou para o fundo das redes santistas, mesmo com a defesa parcial do goleiro Gabriel Brazão. Ninguém imaginaria um gol tão cedo, nem mesmo a apaixonada Massa Atleticana. Bom demais, sô! E ficaria melhor a coisa aos 19 minutos, quando novamente Fred municiou Reinier que pegou de primeira a bola, estufando a rede do Santos, 2 x 0. O resultado para levar a decisão para os pênaltis estava garantido, raciocinava a torcida. Mas como tudo no Galo é sofrido, o Santos diminuiu o placar com uma nova vacilada do instável zagueiro Lyanco, que além de cometer falta boba na lateral do campo, ainda foi infeliz ao cabecear contra seu próprio gol, marcando contra aos 27 minutos do primeiro tempo. Mas o Atlético não se abateu e seguiu na busca incansável pela vitória. E mais um gol veio para coroar a excelente atuação de Reinier, que após receber belo cruzamento de Renan Lodi, tocou leve de pé direito para marcar o terceiro gol atleticano, aos 40 minutos. A disputa de pênaltis estava garantida até ali. Mas que nada! Nem Jorge Benjor esperava que o Santos encostasse novamente no placar, marcando com Gabigol aos 26 minutos da segunda etapa, depois de receber passe longo e espetacular de Arthur. Era 3 x 2 no marcador. Com esse resultado, o Santos estaria classificado e o Atlético daria adeus à competição diante de 40.013 espectadores na Arena MRV. Mas quem é realmente atleticano sabe que o Galo luta até o fim, até o derradeiro segundo. E mais uma vez não foi diferente. Aproveitando perfeito cruzamento da direita de Kevin Castaño já nos acréscimos, Tomás Cuello cabeceou firme e certeiro para o ângulo direito superior de Brazão para enlouquecer a torcida presente no estádio e em milhões de bares e lares pelo mundo. Entretanto, nada estava resolvido, a decisão viria na loteria dos pênaltis. E aí, para bendita surpresa positiva, o substituto do melhor jogador do time atualmente, o grande goleiro Everson, o jovem Gabriel Delfim mostrou todo seu talento debaixo das traves e fez nada menos que três arrojadas defesas nas cobranças de Gabigol, João Schmidt e Arthur. O Galo de Eduardo "Barba" Domínguez está nas semifinais da Sul-Americana! E vai pegar o vencedor do confronto entre Montevideo City Torque (Uruguai) e Cienciano (Peru). Na outra semifinal, enfrentar-se-ão Boca Juniors e Vasco.
RESUMO DA PARTIDA
ATLÉTICO 4 (3) X (1) 2 SANTOS
Motivo: Partida de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana 2026
Local: Arena MRV, Belo Horizonte, Minas Gerais
Data: Quarta-feira, 19 horas, 16 de setembro de 2026
Arbitragem:
Árbitro: Facundo Raúl Tello Figueroa (ARG)
Assistentes: Juan Pablo Belatti (ARG) e Maximiliano del Yesso (ARG)
Quarto Árbitro: Sebastian Zunino (ARG)
VAR: Hernán Mastrangelo (ARG)
Gols: Bernard, a 17 segundos, Reinier, aos 19 e aos 40 minutos do 1º tempo; Tomás Cuello, aos 47 minutos do 2º tempo (Atlético); Lyanco, contra, aos 27 minutos do 1º tempo e Gabigol, aos 26 minutos do 2º tempo (Santos)
Cobranças das penalidades: Gustavo Scarpa, Igor Gomes, Fred (perdeu) e Thiago Borbas (Atlético); Gabigol (perdeu), João Schmidt (perdeu), Gabriel Bontempo e Arthur (perdeu) (Santos)
Cartões amarelos: Rodinei e Luan Peres (Santos)
ATLÉTICO: 1-Gabriel Delfim; 21-Alan Franco (10-Gustavo Scarpa), 40-Vitão, 13-Lyanco (18-Thiago Borbas) e 6-Renan Lodi; 15-Kevin Castaño, 8-Maycon (2-Natanael), 7-Fred e 11-Bernard (17-Igor Gomes); 28-Cuello e 19-Reinier (9-Mateo Cassierra)
Treinador: Eduardo "Barba" Domínguez
Estiveram no banco de reservas: 31-Robert, 3-Léo Duarte, 14-Vitor Hugo, 36-Kauã Pascini, 5-Alexsander, 39-Cissé e 27-Minda
SANTOS: 77-Gabriel Brazão; 23-Rodinei (18-Igor Vinícius), 15-Willian Arão, 14-Luan Peres (4-Lucas Veríssimo) e 31-Escobar; 5-João Schmidt, 48-Gustavo Henrique (6-Arthur), 32-Rollheiser (28-Oliva) e 8-Gabriel Bontempo; 9-Gabriel e 11-Rony (26-João Ananias)
Treinador: Alexi "Cuca" Stival
Estiveram no banco de reservas: 34-João Paulo, 81-Samuel Pierri, 16-Thaciano, 30-Miguelito, 45-Lima, 17-Caballero e 27-Davizinho
O camisa 10 santista, Neymar, que está afastado novamente dos gramados por uma lesão muscular na coxa direita, foi provocado pela torcida atleticana na Vila Belmiro. O craque de bola brasileiro, que há muito tempo não joga futebol com a mesma intensidade e qualidade de outrora, mesmo com apenas 34 anos de idade, continua se metendo em polêmica, como se fosse um adolescente ignorante, birrento e lacrador da quinta série. O eterno "menino Ney" parece não crescer e evoluir como pessoa humana, apesar de já ser um veterano do esporte que pratica, com uma carreira vitoriosa e respeitável por equipes brasileira e europeias. Apesar de ser ídolo de milhões de pessoas pelo mundo, sobretudo de crianças, o sujeito ainda age como um adolescente imaturo, brigando e criando confusões seguidas com técnicos, dirigentes, jornalistas, adversários, colegas e torcedores da sua equipe e de outros times. São inúmeros os fatos lamentáveis protagonizados pelo quase ex-atleta profissional. O mais recente se deu na primeira partida entre Santos e Atlético, quando Neymar respondeu a gozações dos torcedores atleticanos afirmando que "Eu sem joelho jogo melhor que todo o seu time", em um claro desrespeito não ao torcedor, mas a seus colegas de profissão que trabalham no Clube Atlético Mineiro. Não bastasse isso, ainda afirmou "Eu não jogo contra time pequeno", tentando desmerecer e humilhar uma instituição gloriosa de 118 anos, razão da paixão de mais de 8 milhões de pessoas pelo mundo inteiro. Tais atitudes grotescas e imbecis só geram mais equívocos, como a reação impensada do lateral-esquerdo Renan Lodi, que deu um chute em um peixe de plástico levado pelo mascote Galo Doido durante a comemoração dos jogadores alvinegros ainda em campo após a vitória e a classificação para as semifinais da Sul-Americana. Lamentável! Zoeira de torcida é normal e aceitável, mas atitudes infantis de profissionais do futebol, não! Mas a zoeira alegre, descontraída, sadia e respeitosa está liberada, especialmente contra os arrogantes, petulantes e insolentes.
Certamente, após esta vibrante e memorável vitória sobre o Santos, boa parte dos torcedores atleticanos, mormente a barulhenta turma dos corneteiros que critica e detona o treinador e os jogadores o tempo inteiro, já tenha incorporado a ideia de que o Galo tem o melhor time do mundo, dentro da sua situação constante de bipolaridade aguda. Mas aos sensatos e equilibrados mentalmente, o cenário permanece inalterado. O Atlético tem um bom time, que melhora a competitividade a cada dia sob o comando do simpático e educado Barba, mas ainda não é a equipe forte, poderosa e vencedora que eu espero. Temos um elenco mediano que se fortaleceu bastante com a chegada de bons jogadores, como Kevin Castaño e principalmente Fred, mas ainda precisamos de muitos outros mais atletas de nível superior para pretendermos estar no topo das competições com chances reais de conquistá-las. Podemos ganhar a Sul-Americana? Sim, podemos! Podemos ganhar a Copa do Brasil? Sim, temos alguma chance! Mas certamente, exercitando a racionalidade, não somos os favoritos a estas conquistas. Se conquistarmos essas importantes e cobiçadas taças, comemorarei com toda euforia e prazer, obviamente. Mas se o insucesso acontecer, estarei tranquilo e sereno para entender e valorizar o trabalho realizado pela nossa comissão técnica e nossos atletas. Com todas as carências e dificuldades, chegamos bem longe nesta temporada, reconheçamos serenamente. Saber perder é tão importante quanto saber ganhar. É o que nos ensina a empatia e a humildade, valores que muitos ainda precisam cultivar em seus corações.
Um grande abraço espinosense.