Espinosa, meu éden

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

4121 - Morreu o cineasta Luiz Carlos Barreto

Um dos maiores produtores e diretores do Cinema Brasileiro faleceu ontem, 22 de julho de 2026. O sobralense Luiz Carlos Barreto Borges, produtor, diretor, jornalista e fotógrafo carinhosamente chamado de Barretão, morreu ontem aos 98 anos. A cerimônia de despedida aconteceu no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Seu corpo foi cremado no Memorial do Caju. Ele deixou a esposa Lucy, de 93 anos, o filho Bruno, de 71, e a filha Paula, de 58, mais nove netos e oito bisnetos. Seu outro filho, Fábio, morreu em 2019, por complicações de um grave acidente automobilístico.  
Barretão, um ícone do Cinema Novo, movimento cinematográfico que focou na desigualdade social brasileira, participou ativamente da criação de instituições relevantes para a cultura brasileira, como a Embrafilme e a Ancine, e ainda da Lei do Audiovisual. 
Foi jornalista e fotógrafo, mas se celebrizou mesmo à frente de produções cinematográficas que levaram milhões de espectadores aos cinemas, com algumas obras tomando destaque internacional, com indicações ao Oscar, como os filmes "O Que É Isso, Companheiro" (1997) e "O Quatrilho" (1995).



Certamente, se você é aficionado por cinema, já terá assistido a alguma produção realizada pelo Barretão, seja como diretor, produtor, fotógrafo ou roteirista. A lista de sucessos é bem extensa:
"Assalto ao Trem Pagador" (1962)
"Garrincha, Alegria do Povo" (1962)
"Vidas Secas" (1963)
"A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (1965)
"O Padre e a Moça" (1966)
"A Grande Cidade" (1966)
"Terra em Transe" (1967)
"Capitu" (1968)
 "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (1969)
"Como Era Gostoso o Meu Francês" (1971)
"Isto é Pelé" (1974)
"Guerra Conjugal" (1974)
"O Casal" (1975)
"Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976)
"A Dama do Lotação" (1978)
"Amor Bandido" (1979)
"Bye Bye Brazil" (1980)
"Prova de Fogo" (1980)
"O Beijo no Asfalto" (1981)
"Índia, a Filha do Sol" (1982)
"Menino do Rio" (1982)
"Inocência" (1983)
"Memórias do Cárcere" (1984)
"Rei do Rio" (1985)
"A Igreja dos Oprimidos" (1986)
"Ele, o Boto" (1987)
"Luzia Homem" (1988)
"Romance da Empregada" (1988)
"O Quatrilho" (1995)
"O Que É Isso, Companheiro?" (1997)
"Bela Donna" (1998)
"Uma Aventura do Zico" (1998)
"Bossa Nova" (2000)
"2000 Nordestes" (2001)
"A Paixão de Jacobina" (2002)
"O Caminho das Nuvens" (2003)
"O Homem Que Desafiou o Diabo" (2007)
"Última Parada 174" (2008)
"Lula, o Filho do Brasil" (2009)
"João, o Maestro" (2017)




Luiz Carlos Barreto levou o verdadeiro Brasil que muita gente desconhece às telas dos cinemas, contribuindo de forma fundamental para a cultura e a arte brasileiras. Que descanse em paz!
Um grande abraço espinosense.

4120 - A beleza da música montes-clarense

A cidade de Montes Claros sempre se notabilizou por ser um celeiro de boa música. Desde os bons tempos das Folias de Reis e das Serestas até o panorama atual de grandes músicos em inúmeras e efervescentes vertentes musicais. A prova disso está no documentário "A História da Música Popular em Montes Claros", produção da dupla Flávio Colares e Rafael David, que tive o prazer e o privilégio de assistir em sessão realizada no Museu Regional do Norte de Minas há pouco tempo. A obra também foi apresentada no Cineclube Unimontes e será exposta ao público durante as próximas Festas de Agosto. Quando estiver disponível no YouTube voltarei aqui para falar deste maravilhoso projeto de Flávio Colares, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do Governo Federal.
No mesmo YouTube, fiz uma descoberta gratificante agora há pouco, um pequeno documentário sobre um ícone da música montes-clarense, o compositor, poeta, jurista, jornalista e multi-instrumentista João Chaves. A obra intitulada "Concerto de Outono Para João Chaves" fala um pouquinho sobre a vida e arte deste amante inveterado da música e da cidade de Montes Claros. Todos devem, ou deveriam, conhecer algumas de suas belas criações musicais, como as canções "Amo-te Muito" e "Adeus" ("O Bardo". Esta última, criada para homenagear o seu velho e querido amigo Manoel Silva Reis que havia partido para a eternidade, é o foco do pequeno filme de pouco mais de 10 minutos, registrada de forma poética e emocionante no Corredor Cultural com linda performance da Maestrina Maria Lúcia Palma Avelar, da Seresta João Chaves e da Orquestra Sinfônica de Montes Claros. Destaque ainda para a bonita interpretação do senhor José Fernandes de Andrade, o Zezé.
Valorizar a arte local e regional é mais que essencial. E como tem coisa bonita neste nosso rico Norte de Minas!
Um grande abraço espinosense.


"ADEUS" ou "O BARDO"
João Chaves

Oh! Bardo que cantava docemente
Em noites de tristeza e de luar
Oh! Bardo que cantava pras estrelas
Oh! Bardo que não ouço mais cantar

Oh! Bardo que cantava pras estrelas
Oh! Bardo que não ouço mais cantar

Não chores de tristeza e de pesar
No sítio que te deu um fado atroz
Não chores com saudade do luar
Se acaso estás ouvindo a minha voz

Não chores com saudade do luar
Se acaso estás ouvindo a minha voz

Na campa solitária, escura e fria
Pra onde todos nós um dia iremos
Aceita esta canção como lembrança
Dos dias mais felizes que vivemos

Aceita esta canção como lembrança
Dos dias mais felizes que vivemos

A Lua também tem de ti saudades
Vem sempre visitar o teu jazigo
Se acaso a minha voz te vem magoar
Adeus, fica-te em paz, ó meu amigo

Se acaso a minha voz te vem magoar
Adeus, fica-te em paz, ó meu amigo