Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

terça-feira, 16 de junho de 2026

4087 - Atrações da Copa além dos jogos

A Copa do Mundo atrai e envolve milhões de pessoas ao redor do mundo, gerando um faturamento gigantesco e lucro absurdo, não só para a poderosa FIFA, mas também para patrocinadores e empresas de mídia que transmitem o grandioso evento. No Brasil, após um domínio de décadas da Rede Globo de Televisão, a tão famosa "globolixo" hoje odiada por muitos, ocorre um fenômeno de audiência através da Internet, especificamente no YouTube. É o canal Cazé TV, criação do apresentador, comentarista esportivo, influenciador digital, humorista, youtuber e streamer brasileiro Casimiro Miguel Vieira da Silva Ferreira, em parceria com a empresa LiveMode. Nascido no Rio de Janeiro em 20 de outubro de 1993, o rapaz ousou sonhar em conquistar espaço e reconhecimento ao se aventurar na Internet com vídeos bem-humorados em coberturas esportivas. Depois de passar pelo Esporte Interativo (atual TNT Sports Brasil) e SBT, Cazé foi ganhando espaço e conquistando admiradores, sobretudo na população mais jovem. Casimiro, ou Cazé, foi ampliando sua influência e conseguindo realizar ambiciosos projetos, como este de ampliar sua cobertura de grandes eventos, transmitindo todas as partidas da Copa do Mundo 2026. Na sua trajetória até aqui, transmitiu em seus canais na Twitch quanto no YouTube, jogos do Campeonato Carioca, do Athletico no Brasileirão, da Copa do Mundo FIFA de 2022 (22 partidas), da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2022 (7 partidas), dos Jogos Pan-Americanos de 2023, da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023, dos Jogos Olímpicos de Verão de 2024, da Liga Europa da UEFA, da Liga Conferência da UEFA e do Mundial de Clubes FIFA de 2025. Ele já confirmou o direito de transmissão da Copa do Mundo Feminina 2027, da La Liga e da Premier League. Há algum tempo, a LiveMode assumiu 100% da CazéTV, com, Casimiro virando sócio da holding global do grupo.



A Globo teve por muitos anos a hegemonia na transmissão dos jogos das Copas do Mundo da FIFA. Isso ficou no passado. Neste evento de 2026, a Cazé TV tornou-se a única plataforma que irá transmitir ao vivo todas as 104 partidas da Copa entre as 48 seleções nacionais. Em parceria com a empresa de licenciamento esportivo LiveMode, a Cazé TV conseguiu vencer a concorrência para se isolar na cobertura do maior evento futebolístico do planeta. Em 2022, Casimiro conseguiu a liberação da FIFA para transmitir à época um total de 22 partidas da Copa realizada no Catar, inclusive os jogos do Brasil e os jogos das semifinais e final. Era o início de uma ascensão meteórica. Uma empresa independente, sem espaço na TV aberta como a Rede Globo, rapidamente atraiu patrocinadores de peso e audiência de milhões de espectadores. Em poucos dias de transmissão dos primeiros confrontos da Copa do Canadá, México e Estados Unidos, o cara já conseguiu a surpreendente marca de mais de 31 milhões de seguidores inscritos no seu canal, número que deve aumentar significativamente até o final do evento.



E durante a Copa do Mundo, é imensa a quantidade de programas esportivos disponíveis a todos os públicos, seja na TV aberta, nos canais pagos, nas plataformas de streaming e na Internet, especialmente no YouTube. Tem uma porrada de opções, com informações, comentários e humor disponibilizados por jornalistas, ex-jogadores, influencers e humoristas. Indico dois deles, de puro entretenimento, com atores extraordinários na arte de fazer rir. E com conteúdo e inteligência, o que é raro.



O primeiro deles é o "Falha de Cobertura", hilário. Criado em 2014 como uma sátira de programas esportivos, o "Falha de Cobertura" traz os engraçados personagens Craque Daniel, interpretado por Daniel Furlan, e o Professor Cerginho da Pereira Nunes, interpretado pelo Caito Mainier, comentando os acontecimentos do futebol e opinando sobre figuras deste universo esportivo em atuações nos jogos. Agora no canal da Cazé TV, os caras estão mais que inspirados, fazendo-nos rir com suas críticas irreverentes e cômicas. Para quem quer rir ainda mais sobre o assunto Copa do Mundo, a dupla Craque Daniel e Cerginho da Pereira Nunes lançou o livro "Guia da Copa Falha de Cobertura", que traz informações reais ou inventadas sobre os times e craques da competição mundial.



O segundo programa que indico é o "Chama o VAR", interessantíssimo. A produção da Giros Filmes está disponível no Canal SporTV, com protagonismo de Antônio Tabet (Pacheco Leão), Letícia Lima (Fernanda Bandeira, a Bandeirinha), Gabriel Godoy (Paco Rodriguez), João Pimenta (repórter Dilson Santos) e George Sauma (Gustavo Noronha). Os apresentadores revisitam lances duvidosos ou decisões polêmicas de arbitragens antigas das Copas do Mundo, trazendo-as para o crivo do atual sistema de acompanhamento dos árbitros, o VAR. Com muito bom humor, os apresentadores comentam os lances de outrora, discutindo as marcações dos antigos juízes e indagando como seriam as reações e consequências se tivessem à época o aparato tecnológico amplamente utilizado atualmente nas partidas de futebol. O legal é pensar como seria a História das Copas e quem seriam os Campeões se o VAR existisse desde 1930. A direção do programa, que conta inicialmente com apenas quatro episódios disponíveis no Globoplay, é de Rodrigo van der Put.
Nos tempos atuais, há espaço livre na Internet para todo tipo de programa esportivo, podcast, canal de informação e de humor, com muita gente talentosa ou apenas espertinhos que fabricam polêmicas à procura de likes e, consequentemente, dinheiro. Com tanta oferta, entretanto, torna-se cada dia mais difícil conseguir atenção. O Cazé, com toda sua capacidade de construir negócios e atrair seguidores, fruto do seu carisma e de sua qualidade profissional, é o exemplo mais vitorioso dos últimos tempos. E merecidamente! Que cresça cada vez mais, sem contudo perder a humildade e a integridade!   
Um grande abraço espinosense.

      

4086 - O Repente de Caju e Castanha

Eita, Brasil rico de tesouro e arte! É ouro, prata, petróleo, terras férteis em que se plantando, tudo dá, com aquela substancial ajuda da grana alta dos nossos suados impostos. E terra iluminada pelo talento extraordinário de tanta gente boa de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Entre esses tantos criativos artistas das mais diversas áreas da cultura, eis que uma dupla de nordestinos arretados nunca nos deixam borocoxôs e aperreados. Desde que eram dois bruguelos vindos de família pobre, lá em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, os irmãos José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha) perambulavam pela feira da cidade fazendo suas Emboladas e seus Repentes para ganharem algum dinheiro que ajudasse a família em casa, utilizando-se de pandeiros feitos com latas de marmelada. Possuidores de um talento incrível para fazer versos em alta velocidade e cantá-los com bastante ritmo, os pequenos artistas começaram a chamar a atenção e a ficar conhecidos na comunidade. Apareceram até nas telas do cinema em 1975, no documentário "Nordeste: Cordel, Repente, Canção", da cineasta Tânia Quaresma. Caju tinha então 12 anos de idade e Castanha apenas 7 anos. Os apelidos vieram de um comentário feito pelo prefeito da cidade, Severino Claudino, que disse ao vê-los se apresentando: "Mas vejam só, um parece um Caju e o outro uma Castanha". Pronto, o apelido da dupla pegou instantaneamente.
Já atingindo a maioridade, mudaram-se para a capital Recife, buscando melhores dias. No início da década de 1980, os irmãos se mudaram para São Paulo, atrás de mais reconhecimento e sucesso financeiro na carreira. Passaram por enormes dificuldades, apresentando-se nas ruas, praças e nos ônibus. Gravaram um segundo disco em 1981 por intermédio do produtor musical Norte-Mineiro Téo Azevedo, o "Embolando na Embolada", com participações especiais de Zé e Elba Ramalho. Finalmente chegou o sucesso nacional que tanto buscavam. A partir daí vieram participações em programas de rádio e TV, entrevistas, filmes e até literatura de cordel sobre suas trajetórias. Muito dessa ampliação da fama se deu por conta da participação deles no programa dominical da Rede Globo "Som Brasil", entre os anos de 1984 e 1989, sob o comando de Rolando Boldrin e Lima Duarte.



Com o falecimento em 2001 de Caju, o José Albertino da Silva, Castanha passou a ter a companhia do sobrinho Ricardo Alves da Silva, que assumiu a vaga do irmão. E o sucesso e o carinho do público continuaram.
A dupla Caju e Castanha tem uma carreira consolidada de mais de 45 anos. Com um ritmo popular e tradicional do Brasil, a Embolada ou Repente, os dois artistas conseguem reunir e tratar em suas canções de temas sérios de injustiças sociais de uma maneira leve e bem humorada, agradando a nordestinos e "sudestinos".



Há pouco tempo, eles fizeram a divulgação da nova novela da TV Globo, "Guerreiros do Sol", nas ruas do Centro de São Paulo, exatamente no Viaduto do Chá.
Caju e Castanha são a verdadeira face da riqueza cultural do nosso Brasil. E neste São João, a Prefeitura de Recife resolveu homenageá-los, ao lado da costureira Maria Lúcia Nascimento, conhecida como Mãe Nena; do aderecista e figurinista Ricardo Luiz de Souza e do sapateiro Lucivan Batista dos Santos, figuras de enorme importância no cenário da arte pernambucana.
Um grande abraço espinosense.