Eita, Brasil rico de tesouro e arte! É ouro, prata, petróleo, terras férteis em que se plantando, tudo dá, com aquela substancial ajuda da grana alta dos nossos suados impostos. E terra iluminada pelo talento extraordinário de tanta gente boa de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Entre esses tantos criativos artistas das mais diversas áreas da cultura, eis que uma dupla de nordestinos arretados nunca nos deixam borocoxôs e aperreados. Desde que eram dois bruguelos vindos de família pobre, lá em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, os irmãos José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha) perambulavam pela feira da cidade fazendo suas Emboladas e seus Repentes para ganharem algum dinheiro que ajudasse a família em casa, utilizando-se de pandeiros feitos com latas de marmelada. Possuidores de um talento incrível para fazer versos em alta velocidade e cantá-los com bastante ritmo, os pequenos artistas começaram a chamar a atenção e a ficar conhecidos na comunidade. Apareceram até nas telas do cinema em 1975, no documentário "Nordeste: Cordel, Repente, Canção", da cineasta Tânia Quaresma. Caju tinha então 12 anos de idade e Castanha apenas 7 anos. Os apelidos vieram de um comentário feito pelo prefeito da cidade, Severino Claudino, que disse ao vê-los se apresentando: "Mas vejam só, um parece um Caju e o outro uma Castanha". Pronto, o apelido da dupla pegou instantaneamente.
Já atingindo a maioridade, mudaram-se para a capital Recife, buscando melhores dias. No início da década de 1980, os irmãos se mudaram para São Paulo, atrás de mais reconhecimento e sucesso financeiro na carreira. Passaram por enormes dificuldades, apresentando-se nas ruas, praças e nos ônibus. Gravaram um segundo disco em 1981 por intermédio do produtor musical Norte-Mineiro Téo Azevedo, o "Embolando na Embolada", com participações especiais de Zé e Elba Ramalho. Finalmente chegou o sucesso nacional que tanto buscavam. A partir daí vieram participações em programas de rádio e TV, entrevistas, filmes e até literatura de cordel sobre suas trajetórias. Muito dessa ampliação da fama se deu por conta da participação deles no programa dominical da Rede Globo "Som Brasil", entre os anos de 1984 e 1989, sob o comando de Rolando Boldrin e Lima Duarte.
Com o falecimento em 2001 de Caju, o José Albertino da Silva, Castanha passou a ter a companhia do sobrinho Ricardo Alves da Silva, que assumiu a vaga do irmão. E o sucesso e o carinho do público continuaram.
A dupla Caju e Castanha tem uma carreira consolidada de mais de 45 anos. Com um ritmo popular e tradicional do Brasil, a Embolada ou Repente, os dois artistas conseguem reunir e tratar em suas canções de temas sérios de injustiças sociais de uma maneira leve e bem humorada, agradando a nordestinos e "sudestinos".
Há pouco tempo, eles fizeram a divulgação da nova novela da TV Globo, "Guerreiros do Sol", nas ruas do Centro de São Paulo, exatamente no Viaduto do Chá.
Caju e Castanha são a verdadeira face da riqueza cultural do nosso Brasil. E neste São João, a Prefeitura de Recife resolveu homenageá-los, ao lado da costureira Maria Lúcia Nascimento, conhecida como Mãe Nena; do aderecista e figurinista Ricardo Luiz de Souza e do sapateiro Lucivan Batista dos Santos, figuras de enorme importância no cenário da arte pernambucana.
Um grande abraço espinosense.
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