Não me canso de repetir. Adoro Cinema! E entre os meus filmes preferidos estão aqueles baseados em fatos reais. Interessa-me muito mais a realidade que a ficção, mesmo porque em vários acontecimentos da História, a verdade dos fatos é incrivelmente mais inacreditável que a fantasia criada pelos talentosos roteiristas.
Nas plataformas de streaming, sobram produções sobre fatos macabros de massacres ou de assassinatos frios e calculados. Muitos desses acontecimentos que realmente aconteceram, mesmo que isto nos cause alguma incredulidade pela violência e crueldade das ações, envolvem fanatismo religioso. São incontáveis os casos de seitas religiosas comandadas por pastores charlatães que conseguem atrair, iludir e enlouquecer incautos para usá-los em proveito próprio para conseguir poder e dinheiro. As tragédias de Jim Jones em Jonestown, Credonia Mwerinde e Joseph Kibweteere em Uganda e Paul Mackenzie no Quênia são tenebrosos exemplos. Outros casos envolvem relacionamentos abusivos, inclusive dentro de famílias consideradas socialmente à época como normais, confiáveis e felizes. Infelizmente, por trás daquela fachada de normalidade, havia dor, flagelo e desgraça. Assim é o caso da jovem Lizzie, retratada em mais um episódio da ótima série "Monstro", da Netflix.
A série, criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, mostra as surpreendentes histórias de famosos criminosos, com base em fatos verídicos, mas com alguma liberdade criativa. Antes deste episódio, foram lançados outros três, contando as vidas e crimes de personagens complexos como Jeffrey Dahmer, Ed Gein e os irmãos Erik e Lyle Menendez. É fundamental que o espectador se atente às origens dessas figuras macabras, com suas infâncias e adolescências recheadas de problemas, conflitos e suplícios familiares que ajudam a decifrar um pouco o porquê de tamanha revolta, ódio e violência. Agora em setembro de 2026, foi lançado o episódio que conta a trajetória de Lizzie Borden, jovem acusada de matar a machadadas o pai, Andrew Jackson Borden, e a madrasta, Abby Durfee Gray, em 1892. Ela foi julgada e declarada inocente pelo júri em 1893, em Fall River, Massachusetts.
Na série da Netflix, "Monstro: A História de Lizzie Borden" ("The Lizzie Borden Story"), é contada a história da jovem que, na manhã de 4 de agosto de 1892, supostamente assassinou os pais. Andrew foi encontrado morto, deitado de costas no sofá da casa, enquanto Abby estava caída no chão no andar de cima, no quarto de hóspedes. A irmã Emma estava fora da cidade e a empregada da família, Bridget Sullivan, tinha saído para fazer compras. Na série, Bridget aparece como uma amante de Lizzie.
A licença poética permitiu ao criador da série, Ryan Murphy, fazer uma ligação entre criminosas de épocas diferentes, Lizzie Borden e Aileen Wuornos, para exemplificar a influência de uma sobre a outra e para refletir sobre as terríveis consequências para jovens vítimas de vidas atormentadas pela violência. A prostituta Aileen Carol Wuornos, interpretada por Sarah Paulson, foi condenada pelos assassinatos de sete homens na Flórida entre 1989 e 1990 e foi executada por injeção letal no dia 9 de outubro de 2002, aos 46 anos. Ela se declarou inocente, alegando que matou em legítima defesa pelas agressões sofridas dos homens mortos.
ELENCO:
Ella Beatty, como Lizzie Borden
Rebecca Hall, como Abby Borden
Vicky Krieps, como Bridget "Maggie" Sullivan
Charlie Hunnam, como Andrew Borden
Billie Lourd, como Emma Borden
Jessica Barden, como Nance O'Neill
Joey Pollari, como John Morse
Sarah Paulson, como Aileen Wuornos
Oliver Spenceman, como Stephen
EPISÓDIOS:
"Bloodbath" ("Banho de Sangue") - 56 minutos - Direção: Max Winkler
"Strong Kitty" ("Flor Forte") - 55 minutos -Direção: Max Winkler
"Whack Job!" ("Que Golpe!") - 48 minutos - Direção: Max Winkler
"R.I.P (Rest in Pestilence) Abby Borden" ("R.I.P (Descanse na Pestilência), Abby Borden") - 45 minutos - Direção: Sarah Adina Smith
"41" - 40 minutos - Direção: Max Winkler
"Bed and Breakfast" ("Hospedagem") - 46 minutos - Direção: Sarah Adina Smith
"The Trial of the Century" ("O Julgamento do Século") - 46 minutos - Direção: Max Winkler
"Carnival" - 1 hora e 5 minutos - Direção: Max Winkler
Ouço sempre gente preocupada com o ódio e a violência dos tempos atuais, temor razoável e compreensível. Mas temos que levar em conta o nosso amplo acesso atual a tudo o que ocorre no planeta em tempo real. Sabemos instantaneamente de coisas que acontecem lá nos cafundós onde Judas perdeu as botas, o que era impossível nos tempos de outrora. Talvez essa nossa presente possibilidade de saber de tudo, ou quase tudo, que acontece no mundo, traga-nos essa sensação terrível de que o mundo degenerou e que está pior e mais violento e perigoso. É óbvio que os charlatães continuam se utilizando dos incautos para enriquecerem e chegarem ao poder, utilizando-se do fanatismo, do rancor e da truculência, ou seja, nada mudou. Mas a verdade é que sempre houve ódio, violência, matança, sangue derramado, tiranos e opressores, e sim, viver sempre foi e será uma aventura arriscada. Que saibamos aproveitar tudo de bom que esta aventura extraordinária puder ainda nos proporcionar!
Um grande abraço espinosense.
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