A Copa do Mundo acabou, a Espanha ganhou e levantou a taça com todo mérito e a gente voltou nossa atenção ao futebol local, com as competições nacionais, Brasileirão e Copa do Brasil, chegando a fases decisivas. E entre lambanças de goleiros e zagueiros em campo e o Neymar, para variar, metendo-se em polêmicas fora de campo, eis que o Clube Atlético Mineiro surpreendeu a todo mundo com uma vitória consagradora sobre o poderoso líder do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras de Abel Ferreira. E na casa do adversário, o que amplifica ainda mais o feito alvinegro!
Na partida da 20ª rodada do Brasileirão disputada no Nubank Parque na noite do domingo, 26 de julho, o Atlético venceu o Palmeiras por 2 x 1, com gols de Victor Hugo e Ígor Gomes. Com a surpreendente vitória, o clube mineiro ficou na oitava posição na tabela de classificação, com 28 pontos ganhos.
Como não sei mentir, confesso que nem me passava pela cabeça um triunfo do Galo sobre um dos mais qualificados times do país no momento. Minha impressão era de que perderíamos a partida, temendo até uma goleada. O empate seria considerado um excelente resultado, já que o adversário era o líder jogando em seu estádio. Mas o futebol é sempre surpreendente e ele nos deu um presente para encher de alegria nossos corações atleticanos ultimamente golpeados pelas desilusões com as carências do elenco atleticano. Depois de anos maravilhosos com um time forte, competitivo e vencedor, sob a liderança do nosso ídolo Givanildo Vieira de Sousa, o Hulk, o Galo se desfez do elenco qualificado e agora amarga um período de transição em que as performances e os resultados em campo não encantam a nós, apaixonados torcedores. O atual plantel de jogadores medianos não consegue empolgar a torcida e se distanciou das primeiras posições das tabelas dos campeonatos em disputa, ficando longe do sonho de sermos novamente campeões. Até o Campeonato Mineiro deixamos de ganhar, após seis anos consecutivos de conquistas.
A verdade irrefutável é que, com as condições atuais de atletas no elenco, o Clube Atlético Mineiro irá brigar para não ser rebaixado, porém com boas chances de terminar o Brasileirão em posições intermediárias na tabela e uma classificação assegurada à Copa Sul-Americana de 2027. E só! Teremos ainda 18 partidas e 54 pontos em disputa para garantirmos os necessários 17 pontos para a permanência na primeira divisão, o que é razoável e perfeitamente provável. Já na Copa do Brasil, não vislumbro qualquer chance de título, mas nunca me notabilizei por acertar previsões, então tudo pode acontecer, inclusive a lógica. Temos tudo para passar nas oitavas de final pelo Juventude. Daí para a frente, não sei o que será. Na Copa Sul-Americana, teremos como adversário nas oitavas o Red Bull Bragantino ou o Sporting Cristal, do Peru. Temos boas chances de avançar, mas honestamente, não mantenho esperanças de sucesso. Torço para nos livrarmos do descenso no Brasileirão e irmos mais longe nas Copas, e mais que isso, espero que os dirigentes da SAF abram os bolsos para investirem na contratação de jogadores de qualidade para a formação de uma equipe forte e competitiva para a temporada de 2027, levando novamente o clube a estar na briga por títulos. É o que a imensa e apaixonada Massa Atleticana espera!
Antes de ir embora, uma crítica a uma parte da torcida, a barulhenta e sempre insatisfeita ala dos corneteiros bipolares. Nenhuma equipe tem em seu elenco só craques. Pode pesquisar aí no Google e verá que até os grandes times campeões tiveram em sua escalação algum jogador mediano, de técnica limitada, aquele jogador vigoroso, de raça, de força, popularmente chamado de "carregador de piano". Em qualquer equipe vencedora, há que se ter o cara que corre para que os craques tenham liberdade e espaço para fazerem a diferença. E os corneteiros não se cansam de serem injustos com alguns atletas atleticanos, como por exemplo o Ígor Gomes. O atleta é um profissional exemplar, sempre comprometido, trabalhando sério e em silêncio, pronto para atuar quando requisitado. Não se envolve em polêmicas, não se dedica a outro esporte concomitantemente com sua profissão de atleta profissional de futebol, não critica companheiros de time, não desobedece as regras do clube, não força cartão para ganhar folga e nunca cria caso com a imprensa. É um jogador mediano, que nunca se declarou craque, humilde e dedicado, merecedor do nosso respeito e da nossa gratidão. Ígor Gomes tem a minha consideração. Está faltando isso em parte da nossa torcida: gratidão! Temos que compreender as capacidades de cada um e cobrá-los por isso, sem demonizá-los por aquilo que não são nem nunca foram. Há que se cobrar desempenho máximo de todos, mas reconhecer os limites das suas potencialidades. Para os que têm dificuldade de compreender o básico, não se pode exigir do Cassierra que ele jogue como o Reinaldo ou que o Ruan Tressoldi jogue como o Luizinho. É isso!
Um grande abraço espinosense.
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