Espinosa, meu éden

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

4122 - Precisamos falar das Bets

Um assunto de suma importância e causa de muita polêmica está em alta ebulição especialmente agora, durante e após a realização desta Copa do Mundo da FIFA 2026. Durante a transmissão, a Copa chamou a atenção do povo brasileiro para um problema atual, a enorme quantidade de patrocínios das casas de apostas que se apoderaram do futebol, com quase todas as grandes equipes do país estampando suas marcas nas camisas, realidade também observada nas emissoras que transmitem os jogos e nas figuras famosas de ex-jogadores, influencers, artistas e jornalistas que atuam como garotos-propagandas das bets.



Liberadas como uma forma de gerar recursos para o então recém criado Ministério Extraordinário de Segurança Pública, liderado por Raul Jungmann durante o governo de Michel Temer em 2018, as bets de apostas relacionadas a eventos esportivos, como jogos de futebol, espalharam-se pelo país, transformando-se rapidamente em uma mina de ouro, sem qualquer regulamentação, funcionando com empresas operando em paraísos fiscais e sem fiscalização. Tal caótica e danosa situação, que não foi regulamentada dentro de quatro anos como estava previsto na Lei, no governo Bolsonaro, só foi regularizada no governo de Luís Inácio Lula da Silva, através da Lei nº 14.790/2023, em 31 de dezembro de 2023, que criou regras mais claras, estabeleceu impostos sobre o gigantesco faturamento e estipulou exigências para operações no Brasil. A Lei definiu regras claras de tributação, de operação comercial e diretrizes de integridade para o mercado de quota fixa, colocando alguma ordem no processo. Entre as exigências, a de que poderão explorar as apostas esportivas somente as empresas constituídas segundo a legislação brasileira, com sede e administração no território nacional, além de um pagamento de R$ 30 milhões para obtenção da licença de operação. Quanto aos apostadores, há a proibição de apostas por menores de 18 anos. Mesmo assim, o modelo das bets precisa urgentemente ser melhorado, pois pessoas e famílias têm sido impactadas de forma terrível pelas enormes dívidas causadas pelo vício nas apostas, culminando até em casos trágicos de autoextermínio.
Com a propaganda massiva na Internet e na TV, muitas pessoas, infelizmente as mais pobres e carentes, são facilmente iludidas com promessas de fáceis ganhos financeiros de alto valores. Com a facilidade em fazer as apostas, realizadas através dos celulares a qualquer hora e lugar na palma da mão, muitas pessoas destroem suas vidas gastando tudo que possuem e não têm, caindo no vício que pode levar a tragédias e a desestruturações familiares.



A ganância por grana é um dos grandes males da Humanidade. Antigamente, alguns atletas que se tornaram ídolos nacionais e internacionais se preocupavam com o uso das suas imagens públicas, participando de campanhas publicitárias, mas sem se associarem com produtos que causam males físicos e mentais à população, como por exemplo apostas, cigarro e bebida. Infelizmente, hoje, poucos atletas se preocupam com isso. Ídolos gigantes do futebol, que têm milhões de admiradores espalhados pelo mundo inteiro, em grande parte crianças e adolescentes, não se preocupam nem um pouco em participar de campanhas publicitárias de companhias de bebida, e ultimamente, das prejudiciais casas de apostas. Ronaldo e o treinador da Seleção Brasileira Carlo Ancelotti estrelam comercial da cerveja Brahma. Ronaldinho Gaúcho estrela comercial da cerveja Itaipava. O mesmo Ronaldinho e mais Ronaldo, Cafu, Vinícius Júnior, Galvão Bueno, Zinho, Túlio Maravilha, Renato Gaúcho, Denílson e o Zico, são alguns dos ídolos que estrelaram comerciais das bets durante esta Copa, sem a menor preocupação com os danos causados às pessoas e suas famílias. São muitos os casos de suicídio pelo desespero com o vício e as dívidas contraídas no jogo, não divulgadas pela mídia para não incentivar ainda mais vidas perdidas. É um problema sério de saúde pública que precisa ser combatido pelas autoridades competentes o quanto antes. Lembrando que cabe ao Congresso Nacional a decisão de, por exemplo, proibir o funcionamento das bets no país, desejo de alguns cidadãos.
Na Série A do Campeonato Brasileiro que é patrocinado pela Betano, a relação dos times patrocinados pelas bets:
Palmeiras - Sportingbet
Flamengo - Betano
Fluminense - Superbet
Bahia - Viva Sorte
Botafogo - VBet
Atlético - H2Bet
Corinthians - Esportes da Sorte
Cruzeiro - Betnacional
São Paulo - Superbet
Vitória - 7K
Santos - Novibet
Vasco - Sportingbet
Remo - Vaidebet
Chapecoense - ZeroUm



Recentemente, um grupo de grandes nomes da cultura brasileira decidiu se unir em uma mobilização contra a expansão dos jogos de apostas online no país, especialmente contra o famoso jogo do tigrinho, o maior exemplo de aposta que prejudica absurdamente os incautos apostadores. Os artistas Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, Baco Exu do Blues e Emicida, além das atrizes Marieta Severo, Julia Lemmertz, Letícia Sabatella, Camila Pitanga, Alice Carvalho, Luisa Arraes, Alinne Moraes, Malu Galli, Paula Burlamaqui e Cláudia Abreu, e mais outros famosos como Daniel Dantas, Bruno Garcia, Enrique Díaz, Mateus Solano e Antonio Calloni estão presentes na campanha intitulada "Block no Tigrinho". O grupo estrela a campanha lançada pelo coletivo "342 Artes" e é articulada nacionalmente pela produtora Paula Lavigne, que reivindica um maior debate sobre os impactos das apostas digitais na população, pretendendo levantar discussões sobre os impactos emocionais, financeiros e familiares relacionados ao uso excessivo de plataformas de apostas. O foco da campanha é: "As bets se transformaram em um problema de saúde pública. Uma epidemia que está devastando famílias, criando vício, sofrimento e dívidas."



O caso é grave e necessita de urgentes medidas das autoridades para controlar este abuso econômico que destrói vidas e famílias. Que medidas sejam tomadas contra a propaganda desenfreada que causa dependência mental de boa parte da população. Algo de controle mais abrangente deve ser feito urgentemente, assim como as restrições adotadas contra as propagandas de cigarro que deram ótimos resultados anos atrás, com diminuição acentuada de fumantes e, consequentemente, de redução de vidas perdidas para o câncer causado pelas substâncias nocivas presentes nos cigarros. A regra é simples, mais impostos e restrições sobre produtos maléficos e menos impostos sobre alimentos, medicamentos e cultura! Que este nosso tão péssimo Congresso atenda às expectativas da população, atuando firmemente em defesa dos menos favorecidos.
Um grande abraço espinosense.

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