Ao longo da história, a mentira, a deturpação de fatos e a manipulação das pessoas foram armas poderosas utilizadas pelos ardilosos velhacos para conquistarem reconhecimento, fama, dinheiro e poder. Atualmente então, com a influência da tecnologia na Internet, a coisa parece ainda mais deletéria. E tramoias e maquinações estão por todos os lados, levando incautos a crerem em tudo, inclusive em fantasias que lhe serão futuramente totalmente nocivas.
Acabei de assistir na Netflix o documentário "O Assassino Confesso" ("The Confession Killer"). A produção que conta a história do controverso cidadão Henry Lee Lucas tem cinco episódios:
1) Tudo, Menos Veneno (45 minutos)
2) Morango (49 minutos)
3) Guerra em Waco (48 minutos)
4) Todas as Mentiras (45 minutos)
5) Nenhuma Prova (50 minutos)
Vamos ao maluco enredo da vida de um sujeito completamente invulgar. Henry Lee Lucas nasceu aos 23 de agosto de 1936 em Blacksburg, Virgínia, Estados Unidos. Nascido em lar hostil e pobre, o filho de mãe prostituta e pai amputado dos dois membros inferiores em acidente com um trem, o menino que perdeu um olho na infância logo se rebelou, saindo pelo mundo a cometer ilegalidades. Foi preso, fugiu, retornou à prisão e mais tarde foi acusado de ser um serial killer, confessando uma quantidade enorme de assassinatos cruéis, centenas deles. Mas sua existência é muito mais complexa, um inacreditável quadro bizarro da natureza humana. Preso pelos famosos Rangers do Texas, o criminoso foi muito bem tratado pelos policiais, na esperança de que ele confessasse um bocado de casos de assassinatos no país sem resolução, os chamados "cold cases". Inebriados pela notoriedade e reconhecimento público, os homens da Lei deixaram-se levar pelo orgulho e vaidade, optando por tentar solucionar casos complexos com saídas fáceis. Juízes, promotores, advogados, policiais e familiares das vítimas entraram numa espiral de fatos inverídicos que desaguaram em reviravoltas inimagináveis por mais de 30 anos de investigações, prisões, julgamentos, acusações e manchetes nos jornais.
A mentira pode até ter perna curta, mas os mestres em utilizá-la em proveito próprio conseguem feitos inacreditáveis e com total apoio e defesa dos incautos. Como é fácil enganar inocentes!
A melhor coisa a fazer para conhecer esta história fascinante da arte de iludir as pessoas, é assistir sem parar aos cinco episódios da série, muito bem produzidos e com um final surpreendente. Não deixem de ver!
A direção é de Robert Kenner e Taki Oldham. Vale ressaltar o belo trabalho de mostrar cenas reais dos personagens e a importante e séria atuação de parte da imprensa no caso, sobretudo do jornalista Hugh Aynesworth.
Um grande abraço espinosense.

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