A Copa do Mundo demora para começar, mas quando se inicia, passa voando. Na disputa das oitavas de final, 16 equipes se enfrentaram em partidas eliminatórias e agora, entrando nas quartas de final, apenas oito delas continuam a sonhar com a glória de levantar a cobiçada taça de Campeão do Mundo. E algumas das favoritas já deram adeus ao torneio, retornando mais cedo para casa, casos de Brasil e Alemanha.
No primeiro combate das oitavas, enfrentaram-se Marrocos e Canadá. A equipe anfitriã começou muito bem o jogo, sufocando o adversário e criando boas jogadas, o que prevaleceu até o final do primeiro tempo. Para a segunda etapa, mesmo com a perda de Ismael Saibari lesionado ainda no primeiro tempo, o Marrocos se recuperou, equilibrando o jogo e marcando seu primeiro gol aos 4 minutos em bela jogada ensaiada, com o preciso chute do meio-campista Azzedine Ounahi após cobrança de escanteio rasteiro para a entrada da área. Com desvantagem no placar, o Canadá teve que sair para o jogo, deixando espaços para os fatais contra-ataques marroquinos que funcionaram bem por duas vezes, em gols marcados por novamente Ounahi e mais Soufiane Rahimi. O valente Canadá ficou pelo caminho e o ótimo e competitivo time do Marrocos, confirmando sua fase excepcional, segue para as quartas de final pela segunda vez nos Mundiais. Vai pegar a França.
No segundo embate das oitavas, entraram em campo a favorita França, a melhor seleção do mundo na atualidade, e a zebra Paraguai. E deu a lógica. Porém com muita dificuldade da equipe europeia de furar a sólida barreira sul-americana. A França dominou inteiramente a partida, trocando passes em abundância, na tentativa de criar oportunidades de gol. E foram poucas, pois a marcação paraguaia foi eficiente e às vezes truculenta, o que irritou os atletas franceses. Teve muita falta e muito empurra-empurra entre os jogadores. Mbappé foi um dos que mais sofreu faltas. Com poucas chances claras de finalização, o solitário gol da suada vitória veio aos 24 minutos do segundo tempo, depois de um pênalti claro, com decisão do VAR, marcado sobre o habilidoso e liso Désiré Doué, cobrado com precisão pelo craque Kylian Mbappé. O excesso de vontade resultou numa falta desnecessária cometida pelo volante Diego Gómez e que decidiu a partida. Os destaques paraguaios foram o excelente goleiro Orlando Gill e o lateral-direito Juan José Cáceres, que foi um leão na tentativa de marcar os habilidosos atacantes rivais, especialmente Mbappé, que por vezes reagiu com serenidade, sorrindo. O segundo gol francês poderia ter saído aos 45 minutos do segundo tempo, mas o goleiro Gill fez duas arrojadas defesas em finalizações de Mbappé, impedindo o aumento no placar. O surpreendente e competitivo time do Marrocos é o próximo adversário do time de Didier Deschamps.
O terceiro confronto das oitavas aconteceu entre o nosso Brasil e a Noruega. E já escrevi aqui mesmo na postagem anterior sobre mais essa eliminação prematura da nossa seleção em copas. A valorosa Noruega de Odegaard e Haaland irá enfrentar a Inglaterra nas quartas de final.
O quarto confronto das oitavas decretou a eliminação do anfitrião México pela Inglaterra em jogo sensacional. No lendário Estádio Azteca, um jogo memorável, eletrizante. Brilhando em campo, o jovem craque Jude Bellingham marcou dois gols em seguida, aos 36 e 37 minutos, colocando a Inglaterra em vantagem no placar. O valente México reagiu com um gol de Julián Quiñones aos 42 minutos e ainda criou boas chances de igualar o placar com duas finalizações de Raúl Jiménez. Aos 9 minutos, Jarell Quansah foi expulso com ajuda do VAR em jogada muito violenta, colocando mais emoção na partida. Mesmo com um a menos, a Inglaterra marcou seu terceiro gol, após pênalti marcado em Anthony Gordon. Harry Kane cobrou com a costumeira frieza e categoria e marcou o seu sexto gol nesta Copa do Mundo. O México foi para cima e conseguiu diminuir com Raúl Jiménez também batendo pênalti. Nos minutos finais o México partiu para cima, mas não conseguiu furar a forte defesa inglesa, dando adeus à competição. A Inglaterra irá enfrentar a Noruega.
O quinto confronto era um dos mais esperados, um choque de gigantes entre Portugal e Espanha. E o jogo não correspondeu à expectativa. A partida foi muito estudada, demasiadamente truncada pelo respeito e receio de levar gols de ambas as seleções. Nem os maiores astros, Lamine Yamal da Espanha, e Cristiano Ronaldo de Portugal, brilharam. Mesmo com poucos espaços para a ação dos jogadores, algumas poucas chances de gol foram criadas, com presença fundamental dos goleiros Diogo Costa e Unai Simón. A Espanha, com seu tradicional toque de bola, chegou ao gol já no tempo acrescido, com Merino finalizando de forma perfeita após ótimo passe de Ferran Torres. O jogo se notabilizou por ser o último do gigante astro do futebol Cristiano Ronaldo em uma copa, ele que jogou e marcou gols em seis edições: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Foram 11 gols em 27 partidas. Neste Mundial, Cristiano Ronaldo disputou cinco jogos e marcou três gols para Portugal. Gratidão e respeito ao grande CR7.
O sexto confronto envolveu Estados Unidos e Bélgica. Vergonhosamente, o presidente norte-americano pressionou o presidente da FIFA para que o cartão vermelho recebido pelo atleta Balogun fosse suspenso e que ele pudesse enfrentar a Bélgica. Essa decisão vergonhosa tomada pela FIFA manchou o Mundial. O Comitê Disciplinar da FIFA suspendeu o cartão vermelho dado ao atacante da Seleção dos Estados Unidos, Folarin Balogun, liberando-o para jogar contra a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo. Balogun foi expulso aos 18 minutos do segundo tempo da partida contra a Bósnia e Herzegovina por pisar no tornozelo de Muharemovic. O árbitro brasileiro Raphael Claus confirmou o cartão vermelho após revisar o lance no VAR. Uma ação vexatória, desonesta e antiesportiva da FIFA. Mas o tiro saiu pela culatra, pois tal disparate motivou ainda mais os atletas belgas que fizeram uma partida elogiável, com força, dedicação, serenidade e altivez. Venceu e venceu bem, por goleada de 4 x 1, não só o bom time americano, mas também a podridão dos subterrâneos do poder político e a arrogância e deslealdade dos dirigentes. Parabéns a Bélgica pela vitória que dignifica o esporte!
Bélgica e Espanha se confrontarão nas quartas.
O sétimo confronto ocorreu na tarde da terça-feira, 7 de julho, entre a atual Campeã Argentina contra o Egito. Jogaço! É por jogos assim que a gente adora futebol. Uma partida intensa, fascinante, emocionante, com muitos gols e variações no placar. E com o brilho de um gênio da bola que infelizmente está quase encerrando a vitoriosa carreira e se despedindo dos gramados, LIONEL MESSI. O gigante argentino é diferenciado demais! E ainda tem gente que o odeia pelo simples fato de ser argentino. Quanta besteira! Eu amo futebol. E amo o futebol de Diego Armando Maradona, de Fernando Carlos Redondo Neri, de Juan Román Riquelme, de Osvaldo César Ardiles, de Juan Sebastián Verón, craques refinados e incontestáveis. E Messi é simplesmente o maior gênio da bola de sua geração, indiscutivelmente! O baixinho, aos 39 anos, mostra ao mundo como deve se comportar um verdadeiro ídolo, liderando humildemente seus companheiros em busca de mais e mais conquistas, seja nos clubes que defende ou na seleção do seu país. Messi é o cara! Mas vamos ao jogo, que jogo!
O Egito surpreendeu o mundo ao atuar com confiança e determinação, marcando forte a saída de bola adversária, criando problemas para a defesa argentina. O time egípcio não se acovardou diante da atual Campeã Mundial, e comandada pelo excelente Mohamed Salah, colocou a Argentina em maus lençóis. Aos 14 minutos, em certeiro cruzamento da direita de Marwan Attia, o zagueiro Yasser Ibrahim subiu mais alto e cabeceou forte para as redes do estático Dibu Martínez, inaugurando o placar. A Argentina sentiu o golpe e não conseguia se desvencilhar facilmente da agressiva marcação do Egito. E numa rápida troca de passes pela esquerda, Nicolás Tagliafico foi derrubado dentro da área. Pênalti marcado, Messi na cobrança. Quando tudo parecia dar em empate, eis que o goleiro Mostafa Shobeir começou a estrelar o seu show de grandes defesas. Defendeu com arrojo a cobrança de Messi no lado esquerdo do seu gol, impedindo a igualdade no placar. Bateu mal o Messi, confirmando que até os gênios erram de vez em quando. Aos 27 minutos, outro feito de Shobeir, defesa espetacular de cabeçada de Alexis Mac Allister, após certeiro cruzamento de Rodrigo De Paul. Aos 30, Messi bateu falta de longe, mandando a bola na trave direita do Egito. Aos 38, mais uma defesaça de Shobeir, em toque de Julián Álvarez. A Argentina criava chances, mesmo com a ferrenha marcação egípcia. E acabou a primeira etapa, com a Argentina fora da Copa.
O segundo tempo começou com a Argentina em busca do empate, mas foi o Egito que balançou as redes. Em uma jogada espetacular de contra-ataque, dos rápidos Haissem Hassan e Mohamed Salah, o atacante Zico marcou o segundo gol, aos 12 minutos. Mas o VAR apontou falta em lance anterior e o gol foi anulado pelo árbitro francês François Letexier. Alívio para a Argentina, mas que não durou muito. Aos 21 minutos, um repeteco da jogada envolvendo os mesmos três jogadores, terminou no segundo gol do Egito, com Zico aumentando o placar. Tudo indicava que a atual Campeã voltaria para casa, derrotada. Mas quem tem Messi, tem bala na agulha. Aos 33, o ET cruzou na cabeça de "Cuti" Romero em cabeçada indefensável para o Shobeir, 2 x 1. A esperança foi imediatamente renovada. Faltava um gol para levar o jogo para a prorrogação e a Argentina partiu para cima. E o tempo era curto, pouco mais de 12 minutos. Aos 36, Messi entrou driblando na área pela direita, tocou para Lautaro Martínez, que quase conseguiu marcar de cabeça. A tensão só aumentava. E um alívio exponencial veio aos 38 minutos, quando depois de um lançamento rebatido na área, a bola sobrou para Gonzalo Montiel ajeitar para o cara que faz jogar futebol parecer fácil. Messi bateu firme de perna esquerda estufando as redes de Shobeir, que nada pôde fazer. Estava empatada a partida em menos de quatro minutos e a tragédia da eliminação precoce dos hermanos momentaneamente descartada. E como vibrou Messi! Como o genial Pelé fazia, ele socou o ar por duas vezes até ser abraçado efusivamente pelos companheiros. Mas ainda havia jogo e o Egito continuava perigosíssimo nos contra-ataques. Mas foi em um contra-ataque rápido que a Argentina saiu definitivamente do sufoco. Já nos acréscimos, Lautaro Martínez recebeu passe longo de Julian Álvarez e cruzou com maestria na cabeça certeira de Enzo Fernández para decretar a sofrida e emocionante vitória argentina. Que partida sensacional! Uma das melhores de todas as copas, certamente. O Egito teve uma atuação extraordinária, merece todos os aplausos. E a Argentina mostrou uma força mental gigantesca, seguindo adiante no torneio, agora para enfrentar a Suíça nas quartas de final.
O oitavo confronto, fechando as oitavas, se deu entre Suíça e Colômbia. Foi um embate tenso, nervoso, disputado metro a metro de campo, com muita marcação e faltas em abundância. Muita luta de lado a lado, com boas chances de gol criadas e atuações impecáveis dos goleiros Gregor Kobel e Camilo Vargas. O que se viu em campo foi pouca inspiração e bastante transpiração, com os jogadores se doando em campo, com muita garra e entrega. Mas o gol não saiu nem nos 90 minutos nem nos 30 da prorrogação. Na disputa das penalidades, um chute para fora, outro no travessão e uma defesa decisiva de Gregor Kobel no chute de Cucho Hernández, e a Suíça saiu vencedora e segue para as quartas para enfrentar a Argentina. A Colômbia, mesmo eliminada, merece elogios pela boa campanha na Copa.
ARTILHEIROS:
10 - Lionel Messi - Argentina - Atacante - 8
10 - Kylian Mbappé - França - Atacante - 7
9 - Erling Haaland - Noruega - Atacante - 7
9 - Harry Kane - Inglaterra - Atacante - 6
7 - Vini Jr. - Brasil - Atacante - 4
21 - Mikel Oyarzabal - Espanha - Atacante - 4
7 - Ousmane Dembélé - França - Atacante - 4
18 - Ismaïla Sarr - Senegal - Atacante - 4
16 - Julian Quiñones - México - Atacante - 4
10 - Jude Bellingham - Inglaterra - Meio-campo - 4
A Europa mais uma vez mostra a qualidade e a competitividade do seu futebol na Copa, com nada menos que seis seleções classificadas entre as oito: Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Noruega e Suíça. As duas intrusas são a sul-americana Argentina e a africana Marrocos.
Um grande abraço espinosense.
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