Passou um pouquinho do tempo, mas nunca é tarde para reverenciarmos nossos ídolos. Ele tem uma História de vida muito bonita. Vindo da pobreza, com passagem pelo mundo do crime, conseguiu escapar da sina funesta da bandidagem se destacando no futebol a partir de uma chance no elenco do Clube Atlético Mineiro. Dario José dos Santos é uma lenda do futebol. Mesmo sem habilidade com a bola, tornou-se um dos grandes goleadores do Brasil. E do mundo! É o quinto maior artilheiro do futebol brasileiro com 926 gols marcados, atrás apenas de Túlio (1000 gols), Romário (1002 gols), Pelé (1284 gols) e Arthur Friedenreich (1329 gols).
Nascido no subúrbio de Marechal Hermes no Rio de Janeiro aos 4 de março de 1946, Dadá Maravilha, ou Dadá Beija-Flor ou Dadá Peito de Aço, perdeu a mãe, que sofria de problemas mentais, aos 5 anos de idade. Suicídio, infeliz e tragicamente. Sem condições de criá-lo, o pai o internou na FEBEM-Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor. Ali, na instituição de reabilitação de menores infratores, conheceu e se enturmou com alguns deles e entrou para o mundo do crime, cometendo furtos e roubos. Em um assalto, viu um companheiro seu ser morto e se deu conta de que aquilo não o levaria para uma vida longa e tranquila. Incentivado a jogar futebol por um funcionário, começou então a jogar bola no time da instituição e dali, depois de muitas negativas em clubes da cidade, conseguiu uma chance de jogar no Campo Grande. O destino colocou um olheiro do Atlético no Maracanã para assistir uma partida entre o Campo Grande contra o São Cristóvão, quando Dario, com sua altura e força física, marcou três gols, chamando a atenção.
Levado ao Galo, assinou contrato, ganhou um dinheiro para nunca mais passar fome e começou uma longa e vitoriosa carreira, repleta de gols, títulos, artilharias e, claro, muitas frases espirituosas que o tornaram célebre. Dadá Maravilha foi Campeão Brasileiro pelo Atlético em 1971, marcando o gol da vitória sobre o Botafogo no Maracanã que valeu o título. No dia 6 de abril de 1976, pelo Campeonato Pernambucano, Dadá Maravilha protagonizou um recorde difícil de ser batido. Marcou 10 gols no jogo Sport de Recife 14 x 0 Santo Amaro. Marcou 211 gols em 290 jogos com a camisa do Clube Atlético Mineiro, nas três passagens pelo clube que o revelou para o mundo. É o segundo maior artilheiro da história do Clube. Foi Campeão pelo clube em 1971, Campeonato Brasileiro, e em 1970 e 1978, Campeonato Mineiro. Em 3 de setembro de 1969, marcou o gol da vitória por 2 x 1 do Atlético sobre a Seleção Brasileira em amistoso antes da disputa da Copa do Mundo no México em 1970.
Depois de deixar o Campo Grande (RJ) para jogar pelo Atlético, Dario rodou posteriormente por vários estados do Brasil, defendendo as cores de grandes clubes. Dadá jogou por Flamengo (RJ), Sport (PE), Internacional (RS), Ponte Preta (SP), Paysandu (PA), Náutico (PE), Santa Cruz (PE), Bahia (BA), Goiás (GO), Coritiba (PR), Nacional (AM), XV de Piracicaba (SP), Douradense (MS) e Comercial de Registro (SP).
Dario também se aventurou como treinador de futebol e comentarista esportivo depois de pendurar as chuteiras. Continua idolatrado pelo povo brasileiro por suas façanhas dentro de campo e também por seu grande carisma, bom humor e criatividade na construção de frases hilárias e espirituosas.
"Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática."
"Com Dadá em campo não tem placar em branco."
"Faço tudo com amor, inclusive o amor."
"Não existe gol feio. Feio é não fazer gol."
"Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha."
"Nunca aprendi a jogar futebol pois perdi muito tempo fazendo gols."
"Quando eu saltava, o zagueiro conseguia ver o número da minha chuteira."
"São duas coisas que eu não aprendi: Jogar futebol e perder gol!"
"Dadá não é eterno. Sua história será eterna."
Saúde, felicidade e vida longa ao Rei Dadá!
Um grande abraço espinosense.
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