O cara é um fenômeno. Não só como músico mundialmente respeitado, mas também como um ser humano iluminado e querido por todos do seu convívio. E não é para menos. Basta observar os números da vitoriosa carreira artística do cara para comprovar e se surpreender absurdamente com as façanhas.
Participação em 6.716 faixas musicais,
Gravações com 972 artistas,
Participação em 186 discos de ouro e platina,
Gravações de 161 canções que concorreram ao Grammy, 59 delas vencedoras do cobiçado prêmio da música.
2 canções e trilhas sonoras originais que ganharam o Oscar.
Paulinho da Costa é o nome dele, um brasileiro. Você, certamente estará matutando e querendo saber quem é este cara de quem nunca ouviu falar. Se você gosta de boa música e já tem alguns muitos anos de estrada, em algum momento de sua vida deverá ter escutado músicas como "Mountain O’Things", "She’s Got Her Ticket" e "Why" de Tracy Chapman; "Open Your Heart", "Love Makes the World Go Round" e "La Isla Bonita" de Madonna; a maravilhosa canção "We Are The World", "All Night Long (All Night)" e "Running With The Night" de Lionel Richie; "Wanna Be Startin’ Somethin" e "Human Nature" de Michael Jackson; "Hotel California" do Eagles; "I Will Survive" da Gloria Gaynor e "Da Ya Think I’m Sexy" de Rod Stewart, entre tantas outras.
É muita conquista para o nosso brasileiro percussionista Paulo Roberto da Costa, o Paulinho da Costa, nascido no bairro do Irajá na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro em 31 de maio de 1948. Ainda pequenininho, o garotinho já batucava em tudo que via à sua frente, acompanhando sua mãe que gostava de cantar. Nascido em família pobre, teve que morar com outra família assim como o irmão, por total falta de condições econômicas da mãe para sustentá-los. Começou a se especializar no pandeiro e ampliou seu talento na Escola de Samba da Portela com o Mestre Jorge Sapecão, passando a tocar muitos outros instrumentos, até ser convidado a participar, ainda adolescente, de uma turnê brasileira na Europa com os cantores Jorge Goulart e Nora Ney. Da Alemanha foi até a União Soviética, onde prolongou sua estadia de uma semana para três meses. De volta ao Brasil, passou a tocar em boates do Rio de Janeiro, época em que conheceu e se apaixonou pela sua esposa Arice, com quem vive harmoniosamente e com quem gerou os dois filhos, Paulo e Leonardo. Ela nunca se esqueceu da data do primeiro encontro, 13 de março de 1970.
Depois de se destacar em boates famosas do Rio como a Katakombe, saiu novamente em turnê pela Europa e Oriente Médio acompanhando artistas brasileiros. Um certo dia, ou melhor, uma certa noite, na Boate Number One, durante uma apresentação do músico brasileiro que mora nos Estados Unidos, o Sérgio Mendes, Paulinho foi convidado a se juntar à sua banda. Sérgio se encantou com o talento daquele rapaz. Com a esposa Arice grávida, Paulinho aceitou a proposta tentadora e se mandou para os Estados Unidos em 1972 onde construiu uma carreira profissional invejável e angariou o respeito e a admiração de alguns dos melhores artistas do planeta.
Um gênio da música, Quincy Jones, o tem como amigo e parceiro, assim como centenas de artistas das mais variadas nacionalidades. Paulinho tocou em discos icônicos como "Off the Wall" e "Thriller", de Michael Jackson, e "True Blue", de Madonna. Participou de shows, de apresentações em festivais e se tornou um fenômeno de quantidade e qualidade de gravações em estúdio. A relação é gigantesca, mas é preciso listar aqui alguns dos artistas com quem ele gravou canções, do Rock, do Jazz, do Soul, do Blues, do Pop.
Olha só o nível dos caras! Michael Jackson, Madonna, The Commodores, Earth, Wind and Fire, Dolly Parton, Barbra Streisand, Liza Minnelli, Rod Stewart, Dizzy Gillespie, Ella Fitzgerald, Gloria Gaynor, The Jacksons, Herb Alpert, Johny Matis, Lalo Schifrin, Stan Getz, Al Jarrreau, Smokey Robinson, B. B. King, Cher, Elton John, Chaka Khan, Kenny Loggins, George Benson, Donna Summer, Aretha Franklin, Lionel Richie, Miles Davis, Herbie Hancock, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Sting, Phil Collins, Talking Heads, Diana Ross, Ray Charles, Seal, Mary J. Blige, Eric Clapton, Stevie Wonder, Red Hot Chili Peppers e os nossos amados João Gilberto e Tom Jobim, entre tantos outros. Não é para qualquer um catálogo de astros desse não!
Nesta trajetória de imenso sucesso na música, o talentoso e humilde Paulinho teve ajuda de várias boas pessoas que se tornaram grandes amigos seus, casos de Stewart Levine, Lalo Schifrin, Quincy Jones e Sérgio Mendes. Como poucos que alcançam a fama, jamais deixou de lado a humildade de quem nasceu pobre na periferia. Assim como ele, o genial Quincy Jones também passou maus bocados na vida, desde quando perdeu sua mãe quando tinha 7 anos de idade, internada em uma clínica por demência precoce. Como um ser único iluminado pelo destino, ali naquele momento terrível de abandono e solidão, Quincy decidiu que "Se eu não tenho uma mãe, vou deixar a música ser minha mãe. Ela sempre esteve comigo e nunca me decepcionou". Emocionante seu relato.
O nome de Paulinho da Costa está escrito nos créditos de centenas de álbuns pelo mundo. E também até no cinema, pois participou do filme do Steven Spielberg, "A Cor Púrpura". Infelizmente não tão conhecido no Brasil, nos Estados Unidos Paulinho já virou estrela. Estará eternizado na Calçada da Fama de Hollywood no dia 13 de maio como o primeiro brasileiro a ganhar tal honraria. Carmen Miranda está lá, mas ela tem origem portuguesa. Brasileiro da gema, de Irajá, só o nosso Paulinho.
O documentário "The Groove Under the Groove - Os Sons de Paulinho da Costa", que conta sua trajetória extraordinária, já está disponível no catálogo da Netflix. A direção é de Oscar Rodrigues.
É triste mas é verdade: o Brasil não conhece o Brasil. E nem muitos dos seus grandes homens e mulheres que merecem reconhecimento e aplausos. Conhecemos muito e bem são os picaretas que por aqui abundam, lamentavelmente idolatrados por gente fanática e sem noção da realidade. Que um dia eles descubram a luz da verdade!
Um grande abraço espinosense.
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