Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

3973 - A ressurreição do Atlético em cima do maior rival

Que maravilha é acordar na segunda-feira com o presente celestial de poder visualizar um belíssimo céu azul após um abençoado tempo de chuva, com a chance de escutar o lindo canto dos pássaros e a música de Caetano Veloso, com a possibilidade de me locomover livremente pelo mundo sem mais dores nas costas, com a sorte de não sentir um raio caindo na sua cabeça em dia de tempestade, com a dádiva divina de conseguir ainda raciocinar com um mínimo de liberdade, sensatez e discernimento sobre tudo e todos, inclusive sobre uma das minhas maiores paixões, o futebol. Obrigado, meu Deus, por mais um dia de vida e lucidez!
E obrigado por mais um dia feliz, muito feliz! É que ontem à noite o meu amado Clube Atlético Mineiro lavou minha alma com uma atuação, se não perfeita, bastante lúcida, competitiva e convincente. Depois de um enorme vacilo na marcação dentro da área, quando permitiu ao jovem e ótimo atacante cruzeirense Kaio Jorge a finalização certeira para o fundo das redes do goleiro Everson, a equipe alvinegra se superou, encurralou o adversário e conquistou uma vitória extremamente importante e expressiva que pode significar uma recuperação na disputa do Campeonato Mineiro de 2026.


 
Atuando com times mistos formados por profissionais e jogadores da base nas primeiras quatro partidas da competição estadual, a vitória não veio para o Atlético, deixando a torcida raivosa e preocupada. Foram quatro empates, contra Betim (1 x 1), North (1 x 1 ), Tombense (0 x 0) e América (1 x 1), o que complicou a classificação para as semifinais, já que a URT faz excelente campanha, liderando o grupo A com 11 pontos, com 3 vitórias e 2 empates. O Atlético tem apenas uma vitória e conta com 7 pontos ganhos, atrás também do Democrata com o mesmo número de pontos, faltando ainda três rodadas, quando enfrentará Pouso Alegre (fora), Athletic (casa) e Itabirito (fora). Para alcançar a classificação como primeiro do seu grupo ou melhor segundo colocado do torneio, ganhar todos os jogos restantes torna-se obrigatório. É pressão amplificada para o time de Jorge Sampaoli, que mostrou sua incrível capacidade de comandar uma equipe ao vencer o duelo com o renomado treinador rival, Tite, especialmente na segunda etapa do clássico de ontem.
 


Na partida muito bem disputada realizada na Arena MRV pela quinta rodada do Estadual, o placar poderia ter sido com mais gols, pois os goleiros Everson e Cássio brilharam e impediram que os jogadores marcassem em boas chances criadas. O lance mais impressionante da partida foi o gol perdido pelo atacante cruzeirense Keny Alexander Arroyo Alvarado dentro da pequena área, diante do goleiro Everson, quando mandou a bola para o alto, fora do gol. Bernard foi um dos destaques do jogo, marcando o gol de empate do Atlético, emocionando-se muito após o lance já que sofre uma série de críticas pesadas da parte corneteira modinha da torcida atleticana. E mais uma vez o herói da Massa foi o craque Hulk, que aumentou sua incrível eficiência em marcar gols contra o arquirrival. Já são 10 gols marcados em clássicos contra o Cruzeiro, sua maior vítima no Brasil.



O Atlético, jogando pela primeira vez com seu time considerado momentaneamente como titular, mostrou força, determinação e uma boa evolução, com alguns jogadores mostrando talento, capacidade e possibilidade de melhoria na performance com o treinamento cotidiano e o entrosamento com os companheiros, casos do lateral-direito Angelo Preciado, o lateral-esquerdo Renan Lodi e os meio-campistas Maycon e Victor Hugo. Esperança de que Sampaoli consiga formar um time coeso e vencedor. Que assim seja!
O Cruzeiro, que já possui uma excelente base formada desde que era treinado por Leonardo Jardim na temporada passada, ficou ainda mais forte e poderoso com a chegada do craque Gérson. Mas, surpreendentemente, sob a direção do ex-treinador da Seleção Brasileira Tite, vem oscilando na disputa do Campeonato Mineiro, com duas vitórias, sobre Tombense (2 x 1) e Uberlândia (5 x 0), e três inesperadas derrotas para Pouso Alegre (1 x 2), Democrata (0 x 1) e Atlético (1 x 2), o que complicou a situação para conseguir a classificação para as semifinais, pois o valente estreante North lidera o Grupo C com 8 pontos, com 2 vitórias, 2 empates e 1 derrota. O time da nossa querida Montes Claros jogará contra o Democrata (fora), o Uberlândia (casa) e o América (fora). O time celeste ainda terá pela frente o Betim (fora), o América (casa) e o atual líder do torneio URT (fora). É, a vida não está fácil para os dois maiores times da capital que podem ficar, ambos, de fora das fases decisivas, o que seria um desastre.



Como todo Atlético x Cruzeiro, não poderiam faltar as polêmicas, sobretudo ligadas à arbitragem. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda, da Federação Capixaba, fez lambança no jogo. Deixou de marcar um pênalti escandaloso de Kaiki Bruno sobre Bernard aos 46 minutos do primeiro tempo e não expulsou o atleticano Gustavo Scarpa que deu uma entrada forte sobre o pé do adversário Lucas Romero, aos 27 minutos do segundo tempo. O responsável pelo VAR, Daniel Nobre Bins ficou quieto e não se manifestou, equivocadamente. Lamentável.



ATLÉTICO 2 x 1 CRUZEIRO
Motivo: Campeonato Mineiro 2026 – 5ª rodada
Data e horário: 25/01/2026, domingo, às 18h
Local: Arena MRV, Belo Horizonte
Público presente: 39.332
Renda: R$ 1.970.213,04
Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES)
Assistentes: Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Leila Naiara Moreira da Cruz (GO)
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
Gols: Kaio Jorge, aos 26 minutos do 1º tempo (Cruzeiro); Bernard, aos 11 minutos, e Hulk, aos 26 minutos do 2º tempo (Atlético)
Cartões Amarelos: Victor Hugo, Alan Franco e Gustavo Scarpa (Atlético), Fabrício Bruno (Cruzeiro) 
ATLÉTICO: Everson; Angelo Preciado (Igor Gomes), Ruan, Júnior Alonso e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon e Victor Hugo (Alexsander); Bernard (Gustavo Scarpa), Dudu (Cuello) e Hulk (Reinier) Técnico: Jorge Sampaoli
CRUZEIRO: Cássio; William, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki Bruno; Lucas Romero (Chico da Costa), Lucas Silva (Gerson), Christian (Japa) e Matheus Pereira; Wanderson (Arroyo) e Kaio Jorge Técnico: Tite



Terminado o clássico mineiro, explodiram nas redes sociais os memes e a zoeira dos vencedores sobre os vencidos. Normal, faz parte, é do jogo. Mas eu rio mais é de alguns torcedores que se dizem atleticanos, a turma dos corneteiros insaciáveis, também chamados de "modinhas". Essa turma vive em um mundo paralelo, exigindo que todo jogador que veste o Manto Sagrado do Galo se torne um virtuose genial e infalível. Se mesmo os gênios Pelé, Maradona, Garrincha, Zico, Reinaldo e Ronaldinho Gaúcho cometeram inúmeros erros em suas brilhantes e vencedoras carreiras profissionais, por que o esforçado Rony, o aplicado Igor Gomes ou o aguerrido Bernard não podem falhar, simples mortais que são? Nem Einstein foi genial em tempo integral, veja lá o Júnior Alonso ou o Júnior Santos. Está havendo uma clara desconexão de algumas pessoas da realidade dos fatos, o que merece um estudo sério da Ciência. Até o indiscutível melhor elenco do país, o do poderoso Flamengo, está tendo dificuldades para se classificar no Campeonato Carioca. O mesmo ocorre com o Cruzeiro, no Mineiro, e o São Paulo e o Santos, no Paulista. O futebol, especialmente na atualidade, está muito mais competitivo, com as chamadas "equipes pequenas", dando muito mais trabalho para serem derrotadas pelos chamados "grandes". É a evolução do esporte. E se o esporte evolui, o mesmo deveria acontecer com as pessoas, mas parece que não. Tem gente involuindo, vivendo para trás, retrocedendo intelectualmente para a Idade da Pedra. O craque Hulk, nosso maior ídolo, talvez acima de Reinaldo e Ronaldinho Gaúcho para muitos, chegou à marca de dez gols marcados em clássicos contra o arquirrival, mas tem atleticano que já decretou a sua aposentadoria compulsória, pedindo sua saída do clube. Para esta galera radical, bipolar e barulhenta, o Bernard não presta, o Everson é mão de alface, o Guilherme Arana era imprestável, o Rony é grosso, o Reinier é ruim de bola e por aí vai a depreciação de todo mundo no elenco do clube que nos últimos anos vem chegando em posições relevantes nas principais competições do continente, como os títulos do Brasileirão e da Copa do Brasil em 2021, como as terceiras colocações no Brasileirão de 2020 e 2023, com o título da Supercopa sobre o Flamengo em 2022, os vices na Copa Libertadores e Copa do Brasil em 2024, o vice na Sul-Americana em 2025 e o segundo Hexacampeonato do Mineiro em 2025. Fico imaginando essa turma torcendo para o Atlético no passado, quando ficamos 50 anos sem ganhar o Brasileiro e anos seguidos sofrendo goleadas do time do Adílson Batista em tempos de títulos (de dívidas) protestados e luz cortada, sem campo para treinar, e com jogadores medianos vestindo a nossa camisa, sem conquistas e vivenciando vários vexames. A memória de alguns simpatizantes do clube alvinegro parece ter se deteriorado completamente. 



Ninguém, time nenhum do mundo, nem o gigante Real Madrid, ganha tudo o tempo todo. O Palmeiras de Leila Pereira e Abel Ferreira, uma potência econômica atual do futebol brasileiro, passou em branco em 2025, sem ganhar nenhum título. Acontece. O que eu quero é ver o meu Galo no topo, brigando sempre com os grandes clubes do país pelas conquistas. Uma hora, o destino decide a nosso favor e a conquista aparece, mesmo na luta contra clubes de muito maior poder econômico, como nos tempos atuais estão Flamengo e Palmeiras. Um pouquinho de razão, discernimento e sensatez não causam mal nenhum aos nossos miolos. Há que se valorizar o trabalho realizado por dirigentes, comissão técnica e atletas, mesmo que os títulos não venham em sequência como gostaríamos, pois as competições são difíceis e, dentre vários pretendentes, apenas um festejará a glória de ser Campeão. Então, um pouco de sabedoria, clarividência e paciência caem muito bem na vida.
Início de ano, nova configuração do calendário do futebol no Brasil, não se pode afirmar qualquer coisa ainda sobre os desempenhos e possibilidades dos dois gigantes de Minas no cenário estadual, nacional, e internacional nesta temporada. Temos que dar tempo ao tempo e acompanhar com atenção o que irá acontecer. Pelos elencos montados, dá para ter esperança de boas notícias para os clubes mineiros. Vamos aguardar. 
Aqui é GALO, sempre! Na alegria ou na tristeza, na vitória ou na derrota, na glória ou no fracasso, na fortuna ou na desgraça, no título ou no rebaixamento, na boa ou na ruim, Galo até morrer!
Um grande abraço espinosense.


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