A História nos mostra como são importantes e elogiáveis certas manifestações sociais e políticas pacíficas de cidadãos comuns comprometidos com a vida das pessoas, com as lutas por direitos e com o futuro da Humanidade.
A mais recente movimentação humana em favor de uma causa humanitária de valor reconhecido está acontecendo nos beligerantes Estados Unidos da América, a Pátria que se vangloriava no passado distante de ser a Terra da Liberdade. Liderada pelos monges budistas, uma marcha pela Paz, Compaixão e Não Violência, saiu do Huong Dao Vipassana Bhavana Center em Fort Worth, Texas, com destino à capital norte-americana Washington, D.C.. A caminhada pacífica e verdadeiramente humanitária começou no dia 26 de outubro do ano passado e, depois de percorrido o percurso de aproximadamente 3.700 km, passando pelos estados de Louisiana, Mississippi, Alabama, Georgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul, deverá chegar ao seu final no dia 20 de fevereiro de 2026.
A peregrinação que objetiva "elevar a consciência da paz, bondade amorosa e compaixão em toda a América e no mundo", foi organizada e protagonizada por um grupo formado por 19 monges de tradição budista, filiados ao Templo Huong Dao em Fort Worth, no Texas. O líder, o Venerável Bhikkhu Pannakara, assim como mais dois companheiros, andam descalços pelo longo caminho, recebendo e distribuindo cumprimentos, orações, flores e energias positivas de Paz e Amor aos moradores do itinerário, sobretudo as crianças. Descansando da longa jornada em tendas armadas ao ar livre nos locais onde pernoitam, os monges documentam seus passos diários dados em companhia do cachorrinho Aloka. Mesmo espalhando Paz e Amor e Esperança a todos que cruzam pelo caminho, os monges não estão livres da desgraça. Um motorista imprudente atingiu dois membros da comitiva, ferindo ambos. Um deles, atingido de forma grave, teve uma perna amputada, sendo forçado a se afastar.
A marcha dos monges tem como principal objetivo espalhar a Paz nos conturbados EUA, país atualmente sob uma direção beligerante e truculenta contra imigrantes e demais países do mundo, mas tem também outro propósito, este mais possível de ser atingido. Quando chegarem em Washington D.C., eles irão até o Congresso pedir a decretação de um feriado nacional em reconhecimento do Vesak, o dia que marca o nascimento e iluminação do Buda. A data passaria a ser um dia de reflexão, compaixão e unidade para todas as pessoas, independentemente da fé de cada um.
Essa tradição de caminhadas pela Paz teve início na década de 1990, quando o Venerável Maha Ghosananda, um monge cambojano, liderou marchas por áreas devastadas pela guerra na Ásia. Outros líderes religiosos comandaram marchas similares, como as de Martin Luther King Jr. nos anos 60 em defesa do direitos civis dos negros de liberdade e acesso ao voto, a mais famosa delas a de Selma a Montgomery em 1965.
Os iluminados monges seguem sua extensa caminhada em fila indiana, com o apoio de um veículo em que são armazenados os itens essenciais para o grupo, como água, comida, medicamentos, suprimentos para os monges e itens para o cachorrinho Aloka. A população se mostra favorável ao grupo, fazendo doações a todo instante. Mas como a capacidade do veículo é pequena, eles estão solicitando que as doações sejam feitas em dinheiro.
Em cada localidade em que chegam, os monges estão recebendo a acolhida dos prefeitos, a proteção dos policiais e o carinho e atenção dos habitantes locais, com cartazes de boas vindas, flores, reverências e alimentação em recepções calorosas e festivas, o que é prazeroso de se ver.
Reproduzo na íntegra um texto publicado na página do Instagram do grupo:
"Que a paz, a bondade, a compaixão e a cura cresçam em todo este mundo como a primeira luz do amanhecer - tocando gentilmente cada vida, cada lar e cada coração que precisa dela.
Que todos possamos encontrar paz em nossas vidas - não como um sonho distante, mas como uma presença tranquila aqui e agora, nos pequenos e sagrados momentos que compõem nossos dias. Que possamos encontrá-lo no respirar macio entre preocupação e calma, na escolha de falar com delicadeza e na decisão corajosa de deixar ir o que não podemos mudar.
Que a paz encontre aqueles que estão machucando, trazendo um conforto que eles não sabiam que era possível. Que chegue aos que carregam raiva, derretendo suavemente o que endureceu. Que abrace aqueles que se sentem sozinhos, lembrando-os de que são para sempre abraçados por um amor muito maior que a sua solidão.
Que a paz cresça dentro de nós, espalhando a forma como o calor irradia de um fogo compartilhado, a forma como a esperança se levanta quando nos mostram bondade inesperada e a forma como o amor floresce quando finalmente decepcionamos nossas muralhas.
Que a paz toque em cada canto deste mundo e no vasto universo que compartilhamos, até que haja mais luz do que escuridão, mais conexão do que separação e mais amor do que medo.
Que você e todos os seres estejam bem, felizes e em paz."
Que coisa mais linda é a bondade, a compaixão e a misericórdia humana! Mas, infelizmente, muita gente deste mundo fala muito, mas pouco age em favor da Paz e do Amor. A hipocrisia é imensa. Na Igreja Católica, a que sigo e pertenço, durante a Missa, em vários momentos, a Paz é citada. Na oração pela Paz, ouvimos o padre dizer: "A Paz do Senhor esteja sempre convosco". E respondemos em uníssono: "O amor de Cristo nos uniu". Antes da Comunhão, rogamos "Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a Paz". Na bênção final, o padre diz "Ide em Paz e que o Senhor vos acompanhe"! Mas por que tantos católicos, e evangélicos também, têm como ídolos figuras que alimentam o ódio e a violência e fomentam a mentira, a discórdia e a guerra, utilizando para isso do santo nome de Deus? Fala-se uma coisa e faz-se outra completamente inversa, lamentavelmente.
Agora mesmo uma outra caminhada está em andamento, esta no Brasil. O deputado federal da extrema-direita por Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL), iniciou uma marcha de cerca de 240 km, de Paracatu (MG) a Brasília (DF), que tem como objetivo pressionar a Justiça a libertar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo cometimento de vários crimes contra a Democracia, na tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. O ex-presidente ainda responde a outros processos por crimes cometidos durante a pandemia do Covid-19, acusado de negligência por falta de vacinas e oxigênio, o que resultou em mortes de muitos brasileiros.
Enquanto alguns saem em marcha de milhares de quilômetros com intuito humanitário de buscar e disseminar a Paz no mundo, outros saem em caminhada tentando fazer lacração, ganhar likes e apoio político partidário e defender privilégios para bandidos condenados pela Justiça. Uma vergonha!
Que cada um de nós escolha os caminhos que nos convierem! E que siga adiante, com desapego, brandura, fé e generosidade, a Walk for Peace!
Um grande abraço espinosense.






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