Espinosa, meu éden

Espinosa, meu éden

terça-feira, 2 de outubro de 2012

537 - Bem que poderia ser assim, né? Nunca é demais sonhar...

2 de dezembro de 2012. Nesta tarde de domingo vai começar a rodada decisiva do Campeonato Brasileiro. Desde que a CBF marcou todos os clássicos regionais para a rodada derradeira da competição, a emoção parece ter aumentado nas finais do campeonato. Haja coração!
Como se diz no folclore do futebol brasileiro, "é hora de a onça beber água" ou de "ver quem tem mais garrafa vazia pra vender".
Depois de ganhar do Bahia, Coritiba e Sport, empatar com Botafogo, Ponte Preta, Atlético-MG e Cruzeiro, e perder para Grêmio, São Paulo e Palmeiras nas últimas 11 rodadas, o Fluminense chega à rodada final com o título praticamente na mão. Com 72 pontos conquistados em 20 vitórias e 12 empates, basta uma vitória sobre o rival Vasco da Gama para ratificar a sua brilhante campanha durante todo o campeonato e  enlouquecer de alegria a torcida tricolor das Laranjeiras.
O Grêmio está ali, coladinho, com apenas um ponto a menos, 71, depois de 21 vitórias e 8 empates. Venceu nas últimas 11 rodadas Cruzeiro, Sport, Fluminense, Coritiba, Ponte Preta e Figueirense, empatou com Botafogo, Bahia e São Paulo, e perdeu para a Portuguesa. Fica esperando um tropeço do Fluminense para, com uma vitória sobre o eterno rival Internacional, colorir as ruas de Porto Alegre com as cores azul e branca, depois de 16 anos sem conquistar o título de campeão brasileiro.
O Atlético-MG, na terceira colocação, com 70 pontos ganhos em 20 vitórias e 10 empates, depois de, nas 11 rodadas anteriores, vencer Figueirense, Sport, Flamengo, Coritiba e Atlético-GO, empatar com Fluminense e Botafogo e perder para Internacional, Santos e Vasco, corre por fora, tentando vencer o maior adversário, o Cruzeiro, e torcendo para que tanto o Fluminense quanto o Grêmio não vençam os seus jogos, para que a apaixonada torcida atleticana possa soltar o grito de campeão brasileiro entalado na garganta desde 1971. Por três vezes, em 1977, 1980 e 1999, o grito foi sufocado. Quem sabe não será hoje?

Vejam a classificação na 37ª e penúltima rodada do Brasileirão:
CLASSIFICAÇÃO PT  J V  E  D GP GC SG %
1
Fluminense
72
37
20
12
 5
53
26
27
64.9
2
Grêmio
71
37    
21
  8
 8
49
28
21
64
3
Atlético-MG
70     
37  
20     
10
 7
51
28
23
63.1
4
Corinthians
67
37
19  
10    
 8     
54      
28      
26       
60.4
5
Vasco
64
37
18
10
 9
45
35
10
57.7
6
São Paulo
62
37
18
 8
11
54
35
19
55.9
7
Santos
61
37
17
10
10
54
40
14
55
8
Internacional
61
37
16
13
 8
47
32
15
55
9
Botafogo
58
37
16
10
11
53
42
11
52.3
10
Palmeiras
46
37
13      
  7
17
45
46
-1
41.4
11
Flamengo
46
37
12
10
15
37
46
-9
41.4
12
Cruzeiro
45
37
12
  9
16
39
49
-10
40.5
13
Bahia
45
37
10
15
12
36
39
-3
40.5
14
Portuguesa
42
37
10
12
15
34
41
-7
37.8
15
Ponte Preta
42
37
  9
15
13
36
46
-10
37.8
16
Náutico
40
37
12
  4
21
37
57
-20
36
17
Sport
37
37
  9
10
18
27
46
-19
33.3
18
Coritiba
35
37
  9
  8
20
43
60
-17
31.5
19
Figueirense
27
37
  6
  9
22
33
63
-30
24.3
20
Atlético-GO
20
37
  4
  8
25
27
67
-40
18

Começam os jogos, todos no mesmo horário, 16 horas. As partidas, nos vários estádios espalhados pelo país, de norte a sul, são acompanhadas por milhões de pessoas, no campo ou através da televisão. Os jogos são disputadíssimos. Com os nervos à flor da pele, cada lance deixa os torcedores alucinados, alternando momentos de alegria com outros de tensão máxima. Roem-se as unhas, levanta-se da cadeira, soca-se o ar, xinga-se o árbitro, reclama-se do seu jogador, é a emoção alucinante do jogo.
Termina o primeiro tempo, com tudo na mesma: 0 x 0. Pelo menos nos jogos que interessam, os que envolvem os candidatos ao título. Quem liga para os outros resultados? Uma pausa para discutir com os amigos e tomar mais uma cerveja gelada, item indispensável para manter o coração funcionando mais tranquilo.
A segunda etapa começa e agora são só mais 45 minutos para que se revele o campeão. No Rio de Janeiro, o artilheiro do campeonato Fred balança as redes vascaínas e coloca a taça na mão do Fluminense, aos 15 minutos. O Grêmio também sai na frente do Internacional com um golaço de Marcelo Moreno, de bicicleta, aos 23 minutos. Em Minas, o Cruzeiro segura o time do Atlético no 0 x 0, com um jogo amarrado e com muitas faltas. Está decidido o campeonato ou os deuses dos estádios irão se pronunciar?
No Olímpico, o artilheiro Leandro Damião deixa tudo igual, em um chutaço de fora da área, aos 34 minutos. Aumentam as emoções. O Fluminense continua campeão. 40 minutos, falta contra o Fluminense próxima da área. Tensão no Engenhão. Juninho Pernambucano parte decidido para a bola e com a categoria de sempre, estufa as redes de Diego Cavalieri, com um chute indefensável no ângulo esquerdo. Explode a torcida do Vasco. E a do Grêmio. E a do Galo também. Ainda dá tempo. Tudo pode acontecer no futebol.
No Independência, um silêncio sepulcral. Nos minutos finais do jogo, uma verdadeira batalha, Cruzeiro e Atlético não saem do zero. Até que Leonardo Silva lança Bernard na esquerda. Ele se livra de Léo e parte em direção ao gol, sendo derrubado por Victorino próximo da linha da grande área. Os atleticanos pedem a expulsão do zagueiro celeste. O árbitro dá apenas o cartão amarelo. Ronaldinho Gaúcho caminha lentamente em direção à bola. Ele vai bater a falta. A torcida alvinegra acorda o estádio sonolento. Começa a cantar o hino a plenos pulmões. Pode ser a última chance. O perseguido gol de falta do craque não saiu em todo o campeonato. Será logo agora? A torcida canta, a torcida grita, a torcida mira com os olhos esbugalhados a bola estaticamente posicionada a poucos metros do gol cruzeirense. Lá vai Ronaldinho. Lá vai a esperança de milhões de atleticanos em busca da glória. Correu Ronaldinho, bateu com o lado de dentro do pé direito, a bola faz uma curva e vai acertar a trave direita do goleiro Fábio, tocando em suas costas e caindo mansamente dentro da meta do time celeste da Toca da Raposa.
Impossível resistir! Uma explosão de alegria, de prazer, de contentamento, de loucura, varre as instalações do Independência. E de milhares de casas e bares mundo afora infestados de atleticanos. Alguns gritam ensandecidamente, outros sacodem o alambrado, muitos se abraçam, outros chegam às lágrimas, uns poucos ficam ali embasbacados, com o olhar fixo no campo, parecendo não acreditar que aquela cena verdadeiramente está acontecendo. É gol do Galo!
Com os outros resultados e com este gol, o Galo é campeão. Um barulho ensurdecedor invade a tranquilidade do final de tarde em Belo Horizonte. O Galo é campeão brasileiro! Será? Ainda não! Os jogos ainda estão em andamento, alguns com mais de quatro minutos de acréscimo no tempo. E o Cruzeiro ainda pode empatar. Nada decidido ainda. São minutos que parecem séculos. O relógio não anda. Como fazer o tempo voar, passar mais rápido?
Como tudo na vida do Atlético, nada é fácil. E no Rio, o Fluminense perde uma boa chance de marcar, o mesmo acontecendo com o Grêmio, no sul. Os times sabem que só a vitória interessa e partem para cima do adversário. O Fluminense ainda pode ser campeão, mesmo com este resultado de empate com o Vasco. Só tem que torcer para o Cruzeiro empatar. 49 minutos do segundo tempo. Termina o clássico gaúcho, com empate entre Internacional e Grêmio, por 1 x 1. Mesmo sem o título, o Grêmio conquista o direito de ir à Libertadores da América. 
Finalmente termina o jogo no Rio: o Vasco empata com o Fluminense por 1 x 1 e se classifica para a disputa da Copa Libertadores. Só falta o jogo do Independência. Os jogadores do Fluminense esperam ansiosos, ainda no gramado do Engenhão, o final do jogo do Galo para comemorar o título.
E em Minas? Esse jogo não acaba? 50 minutos. Falta contra o Atlético. Leonardo Silva, que já tinha cartão amarelo é expulso. Depois de muita discussão, Montillo vai para a bola e bate forte no ângulo direito e...Víctor manda para escanteio. Não há tempo para mais nada. Acabou o jogo! O GALO é campeão brasileiro de 2012. Uma imagem emocionante enche as televisões de todo o mundo: a Massa Atleticana grita, canta o hino do clube, berra, pula, se descabela, abraça, beija a camisa, se joga no chão, enlouquece alucinadamente. Acabou! É campeão! É campeão! É campeão!
Ops, sonhar nunca é demais. Se não acontecer, valeu a alegria, a emoção, o prazer de assistir às apresentações repletas de tensão, agitação e sensações únicas do Clube Atlético Mineiro.
Galo Forte Vingador, uma vez até morrer!
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Um grande abraço espinosense.

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